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'...Macaé, ano II, Nº 54 - 9 a 16 de fevereiro de 2007
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Polícia Militar Invade Candomblé em BH

Na última Quinta-feira, dia 01 de fevereiro, às 14:00 horas, sob a alegação de que a Polícia Militar havia recebido uma denúncia anônima de que na Comunidade-Terreiro UNZO ATIM NZAZE YIA OMIN, havia uma pessoa em cárcere privado, a Tenente-PM Dálrea de Souza Braga comandou uma ação arbitrária, desrespeitosa e extremamente preconceituosa contra a comunidade religiosa, não levando em consideração as noções básicas de respeito à Constituição Federal que assegura o livre direito de Culto Religioso.

Mesmo sem nenhum esboço de resistência por parte dos líderes religiosos, que mesmo sem entender o que estava acontecendo, convidou os militares a entrarem no terreiro para que ali fossem notificados do que estava acontecendo, a militar responsável pela operação optou por chamar reforços e o que se viu a partir daí foi um show de truculência e desrespeito a todos que se encontravam no terreiro. Várias viaturas militares com homens fortemente armados de fuzis invadiram o terreiro, sem explicação, indo inclusive até o roncó/camarinha, onde se encontravam muzenzas recolhidas. A tenente responsável pela operação demonstrando uma total incapacidade de ocupar a função, foi grosseira e sem educação com os presentes.

Com arma em punho ameaçou prender os sacerdotes, declarando publicamente sua intolerância , seu preconceito. A Tenente nada explicou aos líderes religiosos, não apresentando nenhum documento que a amparasse na invasão ao templo. A única coisa que disse foi que estava a procura de uma pessoa de nome Gabriela que estaria ali no local em cárcere privado, tendo da Zeladora de Inkisse Micaianjá a resposta de que ali não havia ningúem com este nome, que tinha sim muzanzas recolhidas e que uma delas se chamava Daniele e mais duas sobrinhas sua de nomes Bruna e Patrícia ao que a Tenente disse que havia errado o nome e que procurava Daniele. Mesmo não apresentando nenhum documentoesta, se sentiu no direito de tratar as pessoas que ali se encontravam arbitrariamente, ostentando grotescamente seu aparato militar, contra pessoas indefesas e inocentes.

Não podemos mais permitir que este tipo de violência contra nossa prática religiosa, não podemos nos calar diante de ações que só reforçam a existência da intolerância religiosa, do preconceito e do racismo. O CENARAB e outras entidades do movimento negro social se fez presente no terreiro e nossa assessoria jurídica elaborou a representação que está sendo encaminhada às autoridades competentes. Na sexta-feira, dia 02, fomos até o Comando Militar responsável pela região onde está localizado o Terreiro e denunciamos o fato. Mas não pararemos aí, amanhã segunda-feira, dia 05, entregaremos a representação à Corregedoria de Polícia Militar, a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia legislativa e ao Comando de Policiamento da Capital.

Sabemos que fatos como estes não são exceções e que se nos calarmos e fingirmos que nada aconteceu estaremos reforçando a impunidade e a arbitrariedade. Por isso, conclamamos a todos se unirem a nós nesta luta. Independente do credo e da fé de cada um, o que está em jogo é nossa cidadania e nossos direitos.

Makota Celinha Gonçalves
Coordenadora Nacional do CENARAB


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