O BRASIL VOLTA AS AULAS
Dia 1º de fevereiro: Exaltação a democracia
O título era destinado a emoldurar um texto satirizando o
festival da vergonha que entrou em cartaz, na capital da República,
logo depois de declarados os vencedores das últimas eleições e
chegou ao seu clímax na festa da democracia com a posse das novas
mesas diretoras do Congresso Nacional. Antes disso, porém,
acalorados debates cívicos acalentados pelas músicas de Waldic
Soriano, sendo as preferidas "Entre Tapas e Beijos" e "Eu Não Sou
Cachorro Não".
Nosso editor, na última edição do jornal O Rebate,lamentava a
falta de assunto das editorias políticas para manter o noticiário em
tempo de recesso. Eu, todavia, não vivi essa dificuldade. Acompanhei
solitário como uma última sentinela, DO POVO, às negociações e as
negociatas entre vencidos e vencedores, combinando os novos
percentuais na divisão do boloou do tempo de cada um na ordenha
das gordas tetas da mãe gentil.
Escrevo antes de saber quem se deu bem nessa parada, quem
ganhou um ministério com porteira fechada, total autonomia para
presentear parentes, amigos, correligionários e mui amigas com os
apelidados cargos de confiança e, ainda, autonomia no gerenciamento
pessoal das modestas verbas da "fazendinha". Cuidado com o
superfaturamento, as obras de papel (papel aceita tudo), a tentação
do CPF, não o da Receita Federal, mas sim, a tradicional Comissão
Por Fora.
Confesso que nunca foi tão difícil, em toda a minha vida,
colocar no papel aquilo que eu penso. Falar o que dessa trágica obra
encenada por rufiões? Isso mesmo, rufiões, no mais puro significado
da palavra. Com isso acredito que já disse tudo, do meu respeito e
da minha admiração e confiança no novo colegiado da Câmara federal,
particularmente, nos líderes das bancadas e nos donos de partidos.
Olha o Roberto Jéferson aí gente!
A MORTE DA VERGONHA
O mundo inteiro pode acompanhar o enforcamento de Saddam
Hussein. Os brasileiros tiveram também o privilégio de assistir o
assassinato da vergonha da classe política ao assistir pela
televisão o debate dos candidatos à presidência da Câmara Federal:
Aldo Rebelo, buscando a reeleição em nome do apoio oferecido a Lula;
Arlindo Chinaglia, cobrando o direito do PT ao vencer as eleições
para a presidência da República; finalmente, Gustavo Fruet,
defendendo a independência e autonomia do Legislativo.
Os debatedores não conseguiram esconder a existência de um pacto
prévio sobre comportamento. Afinal a encenação foi montada na
tentativa da recuperação de credibilidade política junto à opinião
pública.
Mas, como a ambição é como um carro sem freios, aos poucos os
contendores foram se desviando das regras e o denuncismo entrou em
cena, mesmo que, com as acusações de parte a parte sendo proferidas
educadamente, de maneira subjetiva, contudo, permitindo aos
telespectadores encontrar nas entrelinhas a clara confissão de que,
na legislatura passada os deputados, em sua maioria, adotaram a
prática continuada da omissão, da prevaricação, do protecionismo e
do perdão para tratamento das várias denúncias de corrupção que
cobriram de lama as dependências da Câmara Federal.
Ficou claro que o Congresso Nacional é o maior templo do
cristianismo, vivendo sob a égide do "é dando que recebemos e
perdoando é que somos perdoados". Clodovil, Maluf, Collor, Jose
Dirceu. Olha eles aí de novo gente!
Não ficou só nisso, constatou-se também como verídicas as
acusações da existência do jogo do toma-lá-dá-ca como fator
permanente na aprovação das mensagens presidenciais, especialmente,
das MPs.
RETRATAÇÃO
Quero ao vivo e a cores, como eu costumava dizer há décadas nos
meus programas de rádio, apresentar as minhas sinceras desculpas a
Lula por nunca ter concordado e acreditado nas declarações
entusiasmadas do presidente ao anunciar que o seu (dês) governo
acabou com a fome e a miséria de 7 milhões de brasileiros.
Querido presidente, o erro de avaliação é conseqüência do meu
analfabetismo em matemática, assim nunca pude compreender que dois
mais dois são 5, 6, 7, e até 10, dependendo de quem faz as contas.
Vou explicar, segundo conceituados institutos de pesquisas e
estatísticas, dos estimados 180 milhões de brasileiros, apenas 5%
podem ser considerados ricos e estáveis, temos 25% de emergentes,
situados nas faixas sociais que apresentam condições mínimas de
vida, no entanto, em situação iminente de risco e podem a qualquer
momento voltar ao fundo do poço empurrados pelos juros dos cartões
de crédito, pela ganância do "leão" ou pelos ataques externos a
economia nacional.
Lula está certo, com tudo aquilo que foi roubado nos últimos
quatro anos de Governo é possível sim que uns 7 milhões de
brasileiros tenham fugido definitivamente da fome e da miséria.
Bem, e o resto? Bem, o resto é resto. Na minha modesta visão,
heróis sobreviventes brasileiros, que diariamente se viram nos 30.
Os dias são mais longos para quem sente frio, sede e fome ou torra
no asfalto a temperaturas de 50 graus tirando minhoca do asfalto.
Já ensinava piedosamente um dos chefes das máfias capixabas
que: "o sol nasceu pra todos, a sombra para alguns escolhidos".
Ora Bolas, e viva Rui Barbosa que acertou na mosca; "...chegará
o dia em que o homem sentirá vergonha em ser honesto". Minha mãe
também ensinava: "vergonha é roubar e não poder carregar".
PRÁ ENCERRAR
No Festival de Cinema Sundance, realizado nos Estados Unidos, o
documentário americano intitulado "Manda Bala", conquistou o
primeiro lugar na sua categoria.
Até aí nada de mais, não fosse o filme ter sido rodado no Brasil
e mostrasse a realidade nua e crua da violência e da corrupção no
nosso país. São três episódios com personagens diferentes, num
deles, não foi surpresa, o centro da trama é um político que rouba
bilhões de dólares usando para lavagem do dinheiro uma fazenda de
rãs.
Dou um doce para quem acertar o nome do político que serviu de
argumento para o episódio, tomando-se em conta que toda trama é
baseada em fatos verídicos.
O PAC DO LULA
Sou suspeito em falar porque já assisti a esse filme com outro
nome, PND - Plano Nacional de Desenvolvimento. Não deu certo para o
Brasil e muito menos para os brasileiros, mas, ô palavrinha
pertinente, meia dúzia de espertalhões, ou seus herdeiros, continuam
até hoje gozando as delícias pagas pelos antigos e minguados milhões
de cruzeiros saqueados aos cofres públicos.
Não satisfeitos já pensam ressuscitar a Sudam, a Sudene, o Dec.
Lei 157, a Sudepe, etc e tal. Tenham dó.
AGRADECIMENTOS
Quero agradecer a todos que aceitaram o convite para conhecer o
jornal O Rebate e as mensagens recebidas de aplausos à publicação, e
de incentivo a este colunista. Aproveito para pedir que continuem
prestigiando como leitores e também divulgando entre seus amigos.
ES CADERNO ESPECIAL
Muita gente me perguntando quando teremos no jornal O Rebate
o caderno sobre o Espírito Santo. Calma minha gente, Roma não foi
feita num só dia. Prometo que a idéia está sendo trabalhada com
muito carinho e a possível urgência. Breve terei novidades. Meu alô
a Santa Teresa, Fundão, Vila Velha, Ibiraçú, João Neiva.Todo mundo
querendo marcar presença na telinha.
Sem preferências ou privilégios agradeço aos colegas Paulo
César Dutra, as irmãs Ane e Rose Duarte, esta Diretora de
Comunicação da Assembléia Legislativa, aos vereadores do município
de Serra, Aloísio Santa, presidente da Câmara, Miguel Arino e João
de Deus.
GOVERNADOR PAULO HARTUNG
Através da Assessoria de Comunicação, mereci a honra de receber
um comunicadodo governador Paulo Hartung (ES) falando justamente
do PAC, notícia que deveria ter sido publicada na edição anterior, o
que não foi possível devido ao conhecimento da matéria somente
depois do fechamento do jornal.
Como o assunto está em discussão e segundo o presidente Lula
aberto para críticas e sugestões, consideramos ser da maior
importância para o Espírito Santo a divulgação na íntegra da palavra
do governador capixaba.
Palavra do governador sobre o Programa de Crescimento Econômico
(PAC)
"O PAC possui aspectos positivos e negativos. Destaco como pontos
positivos a inclusão de obras como a adequação da BR-101 - do trecho
compreendido entre a divisa com o Rio de Janeiro até Vitória -; a
duplicação do Contorno de Vitória; a construção de um terminal de
cargas no Aeroporto de Vitória; o linhão de energia ligando a Usina
de Mascarenhas, em Baixo Guadu, até Nova Venécia, no Norte do
Estado; e o término da dragagem da Baía de Vitória.
Entre os pontos negativos do PAC, destaco a ausência de locação de
recursos para o complexo portuário. Não fomos contemplados na
questão portuária, com exceção das obras de contenção no Cais de
Vitória. Não há recursos no PAC para o desenvolvimento do Porto de
Barra do Riacho, investimento de extrema importância para a economia
capixaba. Também não estão previstos recursos para a construção de
um novo Terminal de Contêineres, necessário para ampliar nossa
capacidade de exportação. Hoje temos uma grande demanda, sobretudo
dos setores de rochas ornamentais e café. Os empresários desses
setores muitas vezes estão tendo de embarcar suas mercadorias pelos
portos do Rio de Janeiro. Outro aspecto negativo do PAC é a ausência
de investimentos na BR-101 Norte, que está em condições precárias de
conservação e que vem recendo um fluxo cada vez maior de veículos.
Na próxima segunda-feira (29), irei a Brasília participar de uma
reunião com governadores das demais regiões. Estarei representando a
região Sudeste. Vamos elaborar um documento único para ser levado ao
presidente Lula, contendo uma avaliação mais aprofundada do PAC e
também as reivindicações dos estados. Nosso novo encontro com o
presidente Lula está marcado para acontecer no próximo dia 6 de
março".
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