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'...Macaé, ano II, Nº 53 - 2 a 9 de fevereiro de 2007
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A francesa Jacqueline Dauxois recria a vida da rainha que há três mil anos revolucionou a religião e as artes e enfrentou Moisés no Egito

Ela reinou há três mil anos (1380-1345 a.C.) e foi uma das mais belas e polêmicas mulheres de todos os tempos. Adorada por seu povo como uma deusa, enfrentou os sacerdotes e estimulou o marido, o faraó Aquenáton, a criar um único Deus para o Egito – Aton, o Deus Sol –, jogando por terra todos os outros. Os sacerdotes, fonte de grande poder na 13ª dinastia do antigo Egito, odiaram-na de tal forma que podem ter profanado o seu sarcófago, para ferir sua múmia. Ela pode ter sido também – após a morte do marido – o faraó que enfrentou Moisés, o líder dos hebreus, antes de sua fuga para onde hoje é Israel.

Nefertite, esta personagem histórica controvertida e radical, que já rendeu filmes e documentários em todo o mundo, e cujo busto tornou-se um ícone global, é agora o centro de um romance da francesa Jacqueline Dauxois que a Geração Editorial lança neste início de ano, em sua associação com a Ediouro: Nefertite – amor, poder e traição no antigo Egito .

“Na verdade”, afirma o editor Luiz Fernando Emediato, “Nefertite é uma personagem tão fascinante quanto foi Cleópatra, que reinaria no Egito mais de mil anos depois dela”. (M emórias de Cleópatra , de Margaret George, também da Geração Editorial , já vendeu 135.000 exemplares no Brasil e mais de dois milhões em outros países).

Ele acredita que o livro de Jacqueline Dauxois seguirá o mesmo caminho: “é um livro para deixar qualquer mulher fascinada. Além, claro, de leitura muita intensa para o público masculino”. A história se desenvolve no meio de casamentos divinos, incestos nas famílias reais, usurpação de poder, assassinatos e cenas que a Bíblia também imortalizaria.

Jacqueline Dauxois – que trabalhava como jornalista e professora em Paris, antes de seus livros fazerem sucesso – baseia-se, em seu romance, nas evidências históricas, documentos e registros descobertos e decifrados ao longo do tempo, mas também envereda por hipóteses polêmicas, como a de que Nefertite e Smenka-Rá, co-regente do sucessor de Aquenáton, seria a própria Nefertite, governando por ele. E que, portanto, seria ela mesma o faraó da Bíblia.

Para a romancista, “nada impede que uma mulher tenha se oposto a Moisés, e Nefertite bem poderia ser este faraó da Bíblia”. Jacqueline Dauxois argumenta: “Com Aquenáton, ela revolucionou a religião no Egito. E não poderia recomeçar. Não poderia nem ceder a Moisés, nem reconhecer seu Deus".

Soma de hipóteses, a narrativa de Dauxois, de leitura rápida, leve e apaixonante, fascina o leitor já nas primeiras páginas. Ela acompanha o desenvolvimento físico, intelectual e artístico de Nefertite, que se revela perspicaz, firme e sedutora desde a infância. Não temia nada nem ninguém. Aos 10 anos, ela já dançava seminua sobre a mesa de banquete, fascinando e enlouquecendo quem a via. Ela chegou com essa idade ao harém do então faraó Amenotep III.

A rainha, sua futura sogra, deseja vê-la casada com o príncipe Amenotep IV que, dedicado aos estudos, não demonstrava interesse pelas mulheres. No Egito Antigo, os casamentos nessa idade eram comuns e ela já estava iniciada nas técnicas de sedução que levaram o príncipe de 25 anos a notá-la entre tantas. Nefertite, que significa “a beleza que chega”, introduz vida ao saber de Amenotep IV, também conhecido como Aquenáton. Nessa atmosfera de paixão fulminante, o jovem casal idealizou o culto exclusivo ao Deus Sol e criou a primeira religião monoteísta do Egito. Os dois chegaram a construir uma nova capital para o Egito, para fugir do controle dos sacerdotes.

Quando assume o poder, o faraó Aquenáton incentiva sua esposa a governar, colocando-se em segundo plano. Nefertite implanta sua nova religião e reestrutura o exército. A rainha precisou da mesma força que impulsionou sua vida pública para encorajar o incesto e entregar três de suas seis filhas para casar-se com o pai. Terá, ainda, que suportar a ausência do faraó, que lhe delegou poderes não apenas por acreditar em sua capacidade, mas também por comodismo.

Quando tudo parece estar em paz e todos de acordo com a nova política de Nefertite, chega o profeta Moisés, que lança 10 pragas sobre o Egito a fim de libertar os escravos israelitas em nome de um Deus Eterno, até então desconhecido naquela região. É nessa reviravolta que a autora assume a hipótese de ter sido Nefertite o faraó da Bíblia que se opõe a Moisés. No final surpreendente, uma decisão sacrílega da rainha salva o Egito do esquecimento.

O busto de Nefertite, cuja beleza divide com a Monalisa, de Leonardo Da Vinci, a magia de um sorriso enigmático, é um dos mais famosos da arqueologia egípcia e está hoje no Museu Egípcio de Berlim, na Alemanha. A múmia dela foi profanada de tal forma que chegaram a destruir seu maxilar, com golpes violentíssimos, num gesto que os egiptólogos atribuem ao enorme ódio que os sacerdotes lhe dedicaram.

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