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'...Macaé, ano II, Nº 53 - 2 a 9 de fevereiro de 2007
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NAUFRÁGIO DO IMBETIBA EM JUNHO DE 1881

José Milbs

Os Jornais O REBATE (Macaé) e Monitor Campista (Campos) se referem a uma "irregularidade magnética", ao noticiarem o naufrágio do vapor de cabotagem Imbetiba, em 1881. Antes, cabe dizer que em 12 de Junho de 1875 juntamente com os vapores Goytacaz e Bezerra de Menezes , o Imbetiba trazia do Rio de Janeiro o imperador D. Pedro II e comitiva, para inaugurar a ferrovia, com 104 Km de linha lançada entre Imbetiba, ao sul da cidade de Macaé, e a estação da Coroa, a meio quilometro da cidade de Campos. No km 1 ficava o porto de Imbetiba, em frente à Ilha do Papagaio.

De acordo com os jornais, o comandante do navio, Cândido Lopes, relatou que no dia do acidente o mar estava calmo e sereno, mas a noite começou a cair uma pequena cerração que, por volta das 23 horas, tornou-se fortíssima. O vapor estava com uma tripulação de 25 homens, transportava mercadorias variadas e passageiros para Macaé. Dispunha de três agulhas de marear (bússolas), porém todas elas variavam. Assim, não houve como ter ciência do posicionamento do navio naquele momento, além disso, navegando as cegas em razão de um nevoeiro, a embarcação acabou batendo num banco de areia, pouco antes da meia-noite.

Lopes mandou dar o grito de "passageiros alerta" e, como o navio não abriu água, fez o possível para resgatá-lo do banco de areia, mandando lançar ao mar alguma carga e dar força total à máquina.

O vapor safou-se e continuou a sua marcha, mas à meia noite, bateu em outro banco, encalhando em seguida. Uma hora depois, dissipada a cerração, o luar de clareou a madrugada e pôde-se observar que o navio estava muito próxima a praia da Massambaba. O comandante então fez conduzir para terra, nos escaleres, todos os náufragos e, não tendo o Imbetiba ainda aberto água, tratou de salvar a bagagem dos passageiros e a carga que, segundo o jornal, foi quase toda resgatada. Todavia, um dos escaleres, ao se aproximar da praia, abriu água e foi ao fundo, sendo os passageiros obrigados a lançarem-se ao mar e a caminharem com água acima da cintura. Todos os náufragos passaram a noite na praia e no dia seguinte, dirigiram-se a pé para o povoado, onde foram bem acolhidos pelos cabistas.

No caso do acidente do Imbetiba, estando cerrado o tempo e nula a visibilidade, é inquestionável que cumpria fundear o vapor e aguardar o momento favorável para seguir viagem. Em grande parte, esse tipo de acidente, tão freqüente no passado, era causado pela exagerada confiança do comandante em sua própria experiência e capacidade profissional. O excesso de segurança faz com que se negligencie as preocupações aconselháveis nessas ocasiões, pois ao se navegar sob nevoeiro, além de reduzir a marcha, é imprescindível a sondagem, pois é constatado que a profundidade diminui, isto indica que o navio está mais próximo da costa.

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