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1897 a 1997: O CENTENÁRIO DO FIM DA GUERRA DE CANUDOS
REGINA ABREU
COLABORAÇÃO DE DEUSIMAR DA EBDA*
Antropóloga, pesquisadora da Coordenação de Folciore e Cultura Popular - FUNARTE. Autora da tese de doutorado em antropologia social (1997) "0 Historiador dos Bárbaros — a Trajetória de Euclides da Cunha e a Consagração de Os Sertões"
Qual 0 significado da Guerra de Canudos ocorrida exata mente há cern anos no interior da Bahia? Em quais aspectos cia perrnanece atual em nossos dias?
A hist6ria do movimento liderado por Antonio Conse iheiro no final do século passado nos sertões baianos já foi conta da em prosa e verso. Até mesmo em literatura de cordel já foram difundidas múltiplas versões da tragédia de Canudos. A farna do movirnento se deve a muitas ra zõcs, entre clas o fato de haver mobilizado grande contingente militar para sua repressão, trans formando urn conflito local e re gional na maior guerra civil ocorrida no Brasil naquele final
de século. Outra razão para a celebridade da Guerra de Canudos cstá ligada ao fato de ela ter Sc transformado em tema para Os Sertões, considerado por muitos inte lectuais "o livro número urn" do Brasil ou, corno assi nalou Joaquim Nabuco, a Bíblia da Nacionalidade.
Corn o livro de Euclides da Cunha lançado em 1902, a Guerra de Canudos (1893-1897) assurniu ao longo do tempo irnportância de paradigma, simboli zando a descoberta de' urn mundo desconhecido: os sertões.
A história de Canudos começou em 1893, quando foi fundado o Arraial de Canudos numa antiga fazen da de gado às margens do rio Vaza-Barris, nos sertões da Bahia. Sob a liderança do beato Antonio Conse Iheiro, a população do Arraial chegou a atingir 8.000 sertanejos, integrados sob a forma de congregação re ligiosa. Viver no Arraial representava estratégia de sobrevivência para uma população camponesa scm terras e scm recursos, habitando uma região inóspita, corn muitos períodos de seca e sol causticante. Alérn
disso, sentiarn-se amparados pelo beato Antonio Conselheiro, homern corn alguma instrução, que Os orientava e amparava moral e religiosamente, inclu sive ministrando sacrarnentos. 0 beato pregava contra as leis do regime republicano, recém-insti tuído que considerava uma ofensa às leis de Deus. Antonio Conselheiro batia-se principal- mente contra a separação da Igreja e do Estado e contra o Ca samento civil. Via nessas novas leis uma heresia, pois considera va que Os poderes religiosos de veriam ter supremacia sobre Os civis. Desse modo, orientava seus seguidores a não aceitarem as leis do governo republicano.
Em uma ocasião, chegaram a arrancar e queimar cdi tais do governo que autorizava Os rnunicípios a cobrarem impostos da população.
A Igreja não via corn bons olhos o crescimento do Arraial, tendo chegado a designar alguns padres para elaborar relatórios sobre o movirnento de Conselheiro. Fazendeiros da região também sentiarn-se ameaçados corn o crescimento do grupo, solicitando a intervenção de autoridades locais. Pequenos conflitos começararn a ocorrer. No transcorrer do ano de 1896, urn conflito mais sério teve lugar. Necessitando de madeira e cal para a construção de uma igreja, os devotos do "Born Jesus" partiram em direção a Juazeiro para adquirir o material. Contudo, os ânimos já estavarn acirrados. Boatos de que urn assalto da "gente de Canudos" esta va por vir fez corn que autoridades de Juazeiro en trassern em contato corn autoridades do governo da Bahia, solicitando reforço policial e militar. Uma cx pedição militar seguiu para Juazeiro, dando origem à Guerra de Canudos. Ameaçados, os fiéis do "Born Jesus" atacararn de surpresa a expedição, que bateu em retirada. Urna nova expedição militar foi formada para vingar a primeira e acabou sendo também derrotada. Outras expedições seguiram em direção a Canudos, sofrendo sucessivas derrotas. Canudos tornou-se ques tão nacional, envolvendo o próprio presidente da Re pública, Prudente de Morais, e altas patentes do Exér- cito, até que no dia 5 de outubro de 1897 foram mor tos os últimos defensores do Arraial.
Na época, o movimento de Antonio Conseiheiro era visto como fonte do mal e da anarquia. 0 beato era considerado por cientistas de renome, entre os quais o médico Nina Rodrigues, um desajustado mental. Res peitados intelectuais, como o escritor Machado de Assis, acreditavam ser necessário extirpar o mal de Canudos e pôr fim à "seita do Conseiheiro". 0 lança mento de Os Sertões de Euclides da Cunha trouxe novas questões para o debate, abrindo caminho para novas interpretações sobre o movimento e a Guerra de Canudos. Euclides, que assistiu ao final da guerra como repórter do jornal 0 Estado de São Paulo, con cluiu que a Guerra de Canudos tinha sido um erro histórico. Segundo o escritor, em vez de soldados, o governo republicano deveria ter enviado "mestres escolas" para educar a população de Canudos no caminho do progresso e da civilização, ou seja, as autori dades militares e civis erraram e abusaram do poder ao reprimir pela força uma população que deveria, pelo contrário, ser integrada ao Estado-nação. Euclides da Cunha chamou a atenção para o desconhecimento total em que viviam as elites com relação às populações dis persas pelo território. Os sertões eram mundos des conhecidos que precisavam ser desvendados. Euclides da Cunha fornecia uma interpretação que potencializa va o aspecto positivo dos habitantes dos sertões do Norte, que ele chamava "nossos rudes patrícios". 0 principal argumento do escritor era de que essa popu lação que vivia à margem da nação constituía o cerne da nacionalidade. Os "Sertanejos" de Canudos, márti res dos desvios e dos abusos do poder do governo re publicano, passaram a representar, metaforicamente, o povo brasileiro. Resgatá-los, nem que fosse proceden do a uma revisão histórica dos erros de Canudos, sig nificava resgatar o projeto da nação brasileira.
Cem anos depois, preservar a memória da Guerra de Canudos significa, sobretudo, ficar atento para que novas injustiças não sejam cometidas e que o Pais pos sa dar um passo adiante, congregando suas forças, em vez de dizimá-las.
CENTENÁRIO DO FIM DA GUERRA DE CANUDOS
Decorridos cern anos dos dramáticos epis6dios nos sertões da Bahia, prosseguem Os esforços de estudiosos, brasileiros e estrangeiros, para descrevê-Ios e interpretá-Ios, tentando vencer a dicotomia entre o real e o irnaginário que o caso histórico sempre ensejou.
0 beato Antônio Conselheiro gerou urn movirnento socia religioso marcado pelo fanatisrno, que prosperou, rnercê das características psicossocials das populações do sertão nordestino, no final do século XIX. As autoridades civis, militares e eclesiásticas locais não tiverarn a necessária habilidade para solucionar urn movirnento regional, atribuindo prioridade à repressão policial, sern considerar a liberdade de prática religiosa preconizada pela República recérn instalada e a justiça de muitas das reivindicações da pobre genie sertaneja.
Os seguidores de Antônio Conselheiro crescerarn em número e passararn a receber apoio das populações interioranas, na exata proporção em que ganhavarn vulto as ações militares.
Após as campanhas no Sul, o Exército estava exaurido e não nutria nenhuma simpatia por qualquer ação militar sobre Canudos. 0 emprego da tropa federal foi decidido, conforme a Constituição, por iniciativa exclusiva do Poder Polrtico, e conduzido pelo Dr. Manoel Vitorino Pereira, Vice-Presidente da República do governo Prudente de Moraes. Longe de ser orientado para pacificar a região conturbada, o Exército recebeu ordens claras para "destruir Canudos", pela presumivel ameaça que representava à República, no entender do Governo Federal.
Sob a égide do fanatismo, brasileiros se enfrentaram numa luta cruel e desnecessária. De urn lado, , os militares cuja forrnação positivista levava à preservação do regime contra qualquer arneaça monarquista, de outro, os conselheiristas contagiados pelo caráter teológico do movimento e sob a Iiderança de urn chefe rnessônico.
Após quatro expedições de tropas federais e muitos combates sangrentos, resultou corno saldo a destruição de Canudos e a perda de milhares de vidas de ambos Os lados. Tristemente, todos brasileiros!
FONTE: CENTRO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DO EXÉRCITO BRASILEIRO
JOSÉ DEUSIMAR LOIOLA GONÇALVES

Nascido em 04 de janeiro de 1958 na cidade de Uauá-Ba, mas há 22 anos residindo na cidade vizinha de Monte Santo-Ba, cidade da mesma região, a Micro-região do sertão de Canudos.Diplomado em Técnico Em agropecuária em 1979, pela a Escola Agrotécnica Federal de Catu-Ba;em Magistério pelo Instituto de Educação Monte Santo ;Técnico em Contabilidade pelo mesmo instituto , e técnico em Administração pelo IUB- Instituto Universal Brasileiro.Atualmente cursando Licenciatura em Biologia- 2º período na FTC-Faculdade de Tecnologia e Ciências.UP de Monte Santo-Ba, e Curso Superior em Adminstração de Pequenas e Médias Empresas-V período na UNOPAR- Universidade do Norte do Paraná- UD- de Euclides da Cunha-Ba.Sou funcionário público do governo do estado,há mais de 25 anos, trabalhando na EBDA S/A-Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola, cuja atividade específica, é prestar aos mini, pequenos, médios e grandes produtores rurais, ATER-Assistencia Técnica e Extensão Rural, aliado a esse trabalho tem também a pesquisa..Tenho uma área especifica que é a minha paixão, que é a APICULTURA e MELIPONICULTURA-Criação racional de abelhas com s sem ferrão, 100% viável em nossa região que fica no semi-árido baiano, na região norte de nosso estado.Atualmente continuo trabalhando na mesma empresa acima mencionada, prestes a me aposentar, e continuar estudando que foi sempre a minha paixão, priorizando a fantástica atividade, APICULTURA. E MELIPONOCULTURA.
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