| Jornalista dos velhos tempos do JB e atual chefe regional da TV Litoral escreve ao rebate. Cesar Pinho já foi nosso redator e é um grande repórter
Caro José Milbs de Lacerda Gama,
Em cada dia que leio as acontecências cotidianas de O Rebate, vejo
sua imagem diretamente relacionada com cada letra, com cada idéia,
com cada foto. Você tem sido um exemplo da mutação humana. Um
jornalista que viveu, conviveu e reviveu todos os momentos trágicos
deste país, toda a alegria e a felicidade de, a cada dia,
redescobrir o jornalismo puro.
Você, amigo, é uma exceção à regra, em um tempo de globalização, em
um mundo onde um bucha brincando de fazer justiça, vingando-se
inexplicavlemente de pessoas que não sabem exatamente porque recebem
na cabeça, diariamente, milhares de bombas e milhões de balas
avassaladoras, mortais, holocáusticas que consomem inúmeras vidas. As
balas são perdidas, as vidas são perdidas, as pessoas estão perdidas
e o mundo está perdido.
Isso tudo reflete o jogo de poder, que você conhece muito bem. Você
aprendeu onde pisar e vejo-o, agora, pisando num caminho pavimentado
pela cibernética. Quase não se suja mais as mãos, né não? É porque
mais fácil está a difusão da informação. Hoje, até no celular, a
gente sabe o que acontece lá no outro lado do mundo. Se bobear,
acaba-se sabendo da traiação da mulher do vizinho por intemédio de
uma mensagem no celular. São as câmeras dos big brothers, ligadas em
todas. Tudo isso é bem diferente daquilo que vivemos, verdadeiros
garimpeiros da notícia.
Pena que você não esteja em nenhuma faculdade para transmitir sua
experiência. Lamentavel mesmo porque os teóricos não entendem de
prática e jamais vão acumular tanta vivência. É assim, de uma forma
geral, no mundo: teorias. São tantas, né? Teoria da Evolução, da
Relatividade, do Big Bang, do arsenal químico...
Prática mesmo, só José Milbs de Lacerda Gama.
Muita gente, tenho certeza, tem vontade de ser um Milbs. Muitos se
pudessem teriam vivido tudo aquilo que você viveu. Mas, a maioria se
definiu pela economia (de seu próprio bolso). Então, toda a história
de Macaé está nesse minúsculo órgão de inteligência, abandonado,
relegado. Mas a história não perdoa, ela constuma ser benevolente
com os senhores da verdade. As invencionices, por si só se tornam
contos da carochinha. Parabéns por voce, pelo Rebate. Parabéns por
você existir. Parabéns meu caro. Parabéns porque te admiro e porque
o considero um bom amigo. Pra que dinheiro, se ela não me dá bola,
em casa de batuqueiro só quem fala alto é viola...
Cesar Pinho
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