Fundado em 16 de abril de 1932

'...Macaé, ano I, Nº 51 - 19 a 26 de janeiro de 2007
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ZANI / ARTE é uma pequena Antologia Literária de um grupo de irmãs que, incentivadas pelos pais, desde a infância desenvolveram o hábito da leitura. Os trabalhos de prosa e poesia desse grupo foram conseqüências naturais de um processo desencadeado por esses primeiros estímulos. Selmo Vasconcellos, amigo e divulgador, forneceu a idéia de organizar esses trabalhos em forma de uma antologia familiar.
Mayda Zanirato nasceu em Paraguaçu Paulista.  Licenciada em Letras pela Unesp/Campus de Assis, é professora da rede pública de ensino, em Bertioga/SP.

Marisa Zanirato, nascida em Paraguaçu Paulista, é licenciada em Filosofia pela Unesp/Campus de Assis. Lecionou na rede pública de ensino e no curso de Pedagogia da Unesp/Marília. Atualmente mora em Assis/SP.

Maria Célia Zanirato, nasceu em Paraguaçu Paulista. Cursou Pedagogia e Psicologia. Atualmente trabalha na rede pública de ensino, em Bauru/SP.

Neusa Maria Zanirato, nascida em Iepê/SP, licenciou-se em Letras pela Unesp/Assis. Atualmente é gerente financeira, professora de francês e italiano e tradutora da Editora Larousse.

Angela Maria Zanirato nasceu em Itapira/SP. Formada em História, é professora na rede pública de ensino e no ensino superior, em Paraguaçu Paulista.

Sílvia Helena Zanirato nasceu em Itapira/SP. Licenciada em História, leciona atualmente na Universidade Estadual de Maringá/PR.

Adalgisa Cláudia Maria Zanirato nasceu em Paraguaçu Paulista. Bacharel em Ciências Sociais pela Unesp/Marília, reside em Jundiaí/SP.

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PAI Neusa e Angela - 01/04/05
Teceu a vida de seu jeito:
Sina cabocla, homem valente.
Valentim da viola,
Da vida sem medos
Vivida sem gaiolas.
Valentim das vitórias
Sobre as desventuras,
Das aventuras de tanto amor.
Sua paixão pela vida,
Sua crença desmedida.

Era um pai,
Como são todos os pais.
Éramos filhos
Como são todos os filhos.
Riso, siso, conflitos,
Festas, formaturas, natais,
Festivais, teatros e dança.
Esta foi nossa herança:
A arte como legado
De um homem
Culto, apaixonado:
Nosso pai!

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Estação da Luz da Nossa Língua
Maria Célia Zanirato (Maricell)

Nossa língua a luzir
A se produzir
Em miscigenação
Em criação
Na Luz
Da Estação
Da Nossa Língua.

Língua Nossa que implora
Que ri, que fala, que chora
Que aprende, que ensina na Luz
Da Estação da Nossa Língua.

Língua Pátria na Estação
Que da escuridão nos conduz
Pra saberes e aprendizagens
Em migração
Na estação de tanta luz.

Língua Nossa, Nossa Língua,
De João e de José,
De barões do café,
De príncipes, de governantes,
De artistas, de poetas,
Que em olhares e paisagens
Compõem a Nossa Língua.

Nossa Língua na Estação
Onde patrões e operários
Se misturam
E produzem Nossa Língua.

Nossa Língua, Estação da Luz
Onde tantos se encontram
E entre “coffees, arigatôs, buenos dias,
Ora, pois, pois", dia a dia,
Dão-se as mãos com alegria
E reinventam Nossa Língua.

Estação da Luz da Nossa Língua
Onde gente de toda parte,
Vai construindo, com arte,
E pintando em aquarela
Em nuances, cores mil
Nossa Língua Portuguesa
Nossa Língua Brasileira
Nossa Língua do Brasil.

Língua de tantas geografias
Que do norte e do nordeste
Do oeste, do sul, centro-oeste
Juntam-se às do sudeste
Falando na mesma língua
De esperanças e de lida
Da luz que se faz verdade
E transforma em realidade
Os sonhos de nossas vidas.

Estação Nossa Língua
Palco imenso de teatro
Onde somos personagens
A criar textos e imagens
E o Saber
É Luz que se faz presente
A iluminar a Estação
Na Estação da Luz
Da Nossa Língua.

Estação da Luz da Nossa Língua
Em paredes que o homem ergueu
Em histórias que o tempo teceu
E que estarão sempre a brilhar
Na Luz que reluz
Na Estação da Luz
Da Nossa Língua.

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VIDA
Ângela Zanirato


Coração cheio de vazio
Vazio de vida
Amorfa
Morna
Dormência
Demência
Que saco. Enchi o vazio de palavras

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ESPELHOS
Marisa Zanirato

A imagem reflete-se no espelho
que reflete um outro espelho:
uma face comum,
multiplicada,
invertida,
revertida.
Mais nada. 

Um olho é velho e calmo como a lua.
O outro, que sob a pálpebra apenas  se insinua,
esconde o medo e o espanto
de caça acuada.
Uma das mãos faz a comida, a cama
e lava e passa e escreve.
A outra, em gesto breve,
acena, entediada.
A mesma boca que às vezes salmodia,
por pura rebeldia
morde a fruta proibida e desejada.
Uma imagem descansa;
a outra tem pressa
de retomar a jornada.
E os pés, que carregam o pó
de mil estradas
percorridas em direção à meta
ou sem destino algum,
num ponto da viagem
esbarram no espelho
que reflete outro espelho
e a imagem
multiplicada. 

Só há espelhos
e esta face comum.
Mais nada.

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MARIA DE POESIA
Neusa Zanirato

Ave-Maria ela desfia
(tanta roupa na bacia!)
O filho chora... quer pão
(Deus, tenho que fazer sabão!)
Ah, onde deixou a poesia?
(e essa, chuva, será que estia?)
A roupa no varal, o pão na mesa
(esse poema não me sai da cabeça)
O almoço do Zé já no fogão
(não tenho rima prá solidão)
Ainda falta encerar o chão
(Minha Santa, me desculpe a perdição!)
Vem chegando o fim do dia
(nem terminei a poesia!)
Chega o Zé, nem enxerga a Maria
(achei a rima: é Sofia, a traição!)

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