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'...Macaé, ano I, Nº 50 - 12 a 19 de janeiro de 2007
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Guto Glória Sardinha

Esperança

Está todo mundo reclamando da chuva que insiste em cair na Terra Brasil nesse início de ano. Contrariando todas as previsões meteorológicas, o sol de verão, está escondido, nas nuvens negras que, nem as ventanias, estão conseguindo removê-las. É à força de Deus que, brasileiro, está envergonhado, com tanta sujeira no país que ele criou com tanta inspiração e que, insiste em limpá-lo. O nosso país é tão bonito que, realmente, quando nos criou, Deus estava namorando.

Longe de mim, de ser aquele cara chato, de direita ou de esquerda, que só sabe reclamar, mas, está passando da hora de nós, humanos, unirmos ao criador e acabar com toda essa sujeira. Como pode, um homem, nomeado pela governadora, chefe da Polícia Civil, se unir a bandidagem e, com apoio dos mesmos, se eleger Deputado Estadual? As nossas instituições estão escarnecidas. Os homens públicos estão desacreditados, levando a sociedade ao desespero com o aumento da violência. A classe média e a baixa estão inertes, com a manipulação, por falta de conhecimento, pelos meios de comunicação. O país está perdido! Falta educação, saúde, segurança, ética, falta tudo. E, nós, numa imbecilidade sem fim, de quatro em quatro anos, acreditamos, quando em horário político, os candidatos, aproveitando da miséria, distribuem cestas básicas, e prometem tudo que está faltando. E, depois de eleitos, viram-nos as costas, preocupados somente, com os seus bolsos.

Depois que escrevi o desabafo acima, me senti impotente e sem esperança, ao ler um texto de Eça de Queiroz de 1871 que diz assim: “O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Não há princípio que não seja desmentido nem instituição que não seja escarnecida. Já não se crê na honestidade dos homens públicos. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas idéias aumenta a cada dia. A ruína econômica cresce, cresce, cresce... A agiotagem explora o juro. A ignorância pesa sobre o povo como um nevoeiro. O número das escolas é dramático. A intriga política alastra-se por sobre a sonolência enfastiada do país. Não é uma existência; é uma expiação. Diz-se por toda parte: ‘ O país está perdido!'”

Estamos em 2007. Feliz 2007! Passaram-se 136 anos do texto de Eça e nada mudou. O que está errado? Somos nós, imbecis? Ou são os políticos, canalhas? Fui muito duro? Acho que sim! Não posso generalizar. Existem políticos sérios e honestos. O que precisamos aprender é diferenciá-los na hora da eleição. Tenho um sobrinho, o Igor, que diz que, sou muito repetitivo nas minhas idéias. Continuarei sendo, posso estar chovendo no molhado, mas, a minha esperança de ver este país como Deus imaginou, jamais perderei. Principalmente no início de um ano novo.

Conclamo a população a se unir em torno dos políticos honestos e em um partido com ética e, como Deus, para fazermos coisas bonitas, namorar bastante e tirar esse atraso de século. Muita saúde e paz!

Guto Glória Sardinha

 


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