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'...Macaé, ano I, Nº 49 - 5 a 12 de janeiro de 2007
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A Marcha da Humanidade

Considero uma grande responsabilidade de assumir uma coluna semanal aqui no Rebate, a convite de José Milbs, mas ao mesmo tempo agradecido por ter mais um canal de comunicação nesta nossa era de relacionamentos virtuais.

Este final de semana, numa pausa nessa maratona a que nos entregamos todo final de ano, tive a oportunidade de assistir junto com minha filha o documentário "A Marcha dos Pingüins" de Luc Jacquet, e folheando a revista Veja deste final de semana também, vi uma foto e uma referencia ao filme.

Fantástica a saga do Pingüim Imperador: empreendem uma marcha para o local de reprodução e ali os casais se escolhem num lindo ritual, depois a fêmea repassa o ovo ao macho (sendo que o ovo não pode ficar exposto ao frio ou a neve, e os casais que falham nesta transferência perdem o seu ano) e empreende a marcha de volta ao oceano para se alimentar e o macho permanece noventa dias aquecendo o ovo e depois cuidando do filhote, repassando a ele suas últimas reservas de alimento e enfrentando tormentas e temperaturas de quarenta graus negativos. A fêmea retorna e passa a cuidar do filhote enquanto o macho novamente retoma a marcha ao oceano para se alimentar também, a fêmea permanece cuidando do filhote e aguardando o retorno do macho e eles empreendem a marcha de volta todos separados e na próxima estação de acasalamento retomam a saga novamente.

Linda a forma que Luc Jacquet contou a estória !!

Fazendo um paralelo entre os pingüins e nós os humanos, podemos concluir o tanto que nos despimos dos sentimentos instintivos e naturais que os animais possuem. Nesta época em que a literatura de auto ajuda bate recordes de vendagem, os animais já têm essa bibliografia por instinto em suas naturezas. O que estes livros nos ensinam é o obvio ululante que infelizmente sabemos mas não conseguimos colocar em prática.

A natureza simplifica ao máximo a vida e dota os seres dos apretechos necessários para empreendê-la. Os pingüins vivem para alimentar-se, reproduzir-se e sobreviver, num território que possui os maiores e aterrorizantes obstáculos. O que significa que a tarefa não é tão simples quanto parece. E os animais a empreendem da maneira mais nobre possível e sentem sim a perda do par ou da cria, mas o sentimento é passageiro e tomado como uma circunstância natural do processo logo se readaptam e a vida segue.

Nós nos encontramos tão apegados aos nossos valores e ao nosso possuir, que muitas vezes enfrentamos mal ou não conseguimos enfrentar e nos recuperar dos obstáculos e perdas que são eventuais e naturais em nosso viver.

A simplicidade infelizmente vem perdendo espaço em nosso viver e das metas que a natureza estabeleceu para a raça humana, tornando todos os indivíduos aptos a realiza-

la criamos várias outras que vão na contramão do viver natural, a natureza não nos criou para essa competição feroz e desumana em que nos batemos diariamente. O homem não consegue usufruir da natureza pacificamente, predamos incansavelmente o mundo que nos acolhe.

A raça humana é a única capaz de propiciar um espetáculo deprimente e aterrorizante como o da execução de Sadam Hussein, chegou-se a um ponto em que se discute se foi certo ou errado ou se o castigo era o merecido ou não. Por que não se discute a origem de tudo o porque de se chegar a este ponto.

Fico imaginando se a raça humana for submetida a uma prova tão séria quanto a que o Pingüim Imperador é obrigado a fazer, vários nem iniciariam a caminhada e muitos entrariam numa feroz competição para que se eliminassem os "potenciais" concorrentes ou seja deturpariam em tudo o processo que os animais concluem como tanta nobreza e simplicidade.

Sei que parece um texto meio amargo para uma época destas, mas é nesta época que simboliza renascimento, melhora, recomeço que eu acho que deveríamos nos perguntar:

Para onde marcha a humanidade ??

Dácio Eduardo Fernandes

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