
A fase boa do jornalismo
O jornalista é um profissional como poucos. Trabalha muito e, às vezes, o público que o lê não é capaz nem de saber quem é o autor. No jornalismo vale a capacidade singular de cada um no transmitir das idéias, aquele que se destacar faz grande carreira e trabalha sempre em jornais da mídia e em escritórios aconhegantes. Mas é necessário que seja assim? Por que os outros também não têm as mesmas regalias. Afinal, o público lê os jornais que chegam as suas mãos, pois grande parte vai direto para as seções de modas e fofocas e outros para o esporte (isso sem falar na página policial).
Mas é bom lembrar a fase boa do jornalismo, quando todos sem exceção tinham que enfrentar uma máquina pequena, de tinta preta e teclas miúdas, escreviam em porões úmidos e mal iluminados e ainda eram tachados de comunistas. Por vezes perseguidos, presos, torturados em alguns casos até exilados. Mas era bom! A igualdade imperava, e o escritor e o público uniam um só laço.
Mas as fases românticas são superadas e o único resquício daquela época são uns poucos estudantes de jornalismo que fazem estágio em pequenos jornais e na sexta-feira se encontram num barzinho, cantam Chico Buarque, clamam versos contra a sociedade embebedados de cervejas, mas depois vão embora em seus carros, acelerando pelas avenidas na madrugada.
Temos hoje, que competir conosco, pois qualquer ato falho pode ser motivo de preocupação, afinal existem várias pessoas que largariam tudo para estar em nossos lugares. Não há mais " - amizades", o companheirismo está refletido no currículo de cada um e ainda aparece um dono de jornal querendo organizar uma festa de fim de ano com amigo secreto e tudo mais. Somos jornalistas nostálgicos! Mas com um perfume do boticário debaixo do braço, ou até mesmo uma garrafa de uísque (do Paraguai). Até parece que estamos satisfeitos com o local que trabalhamos, com as pessoas que trabalhamos. Saímos de casa todos os dias, enfrentamos um trânsito infernal e ainda temos que escrever sobre coisas que não gostamos e sem se esquecer da pontuação, é claro! |