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Hartelijke Kerstroeten!

Por Betto Fernandes

Já que ainda estamos no ciclo natalino, que só se finda no dia 6 de janeiro, dia de Reis, cabem algumas reflexões e análises sobre este tradicional período.

Hartelijke Kerstroeten! Para os conhecedores do Holandês não preciso explicar estas palavras, para quem não entende tal idioma, traduzo: Feliz Natal!

Há muitos anos os cristãos repetem essa frase, em vários idiomas... Aqui no Brasil, essa data é difundida nacionalmente. As cidades se enfeitam com árvores de natal, para todo lado, imagens do bom velhinho, das renas, de velas e da estrela, dos presépios, podem ser vistas em todo lugar. As luzes aos montes iluminam as cidades. O hilário é que entramos em horário de verão, pra economizar energia. Todos se consumindo, tendo de acordar uma hora mais cedo e as pequenas lâmpadas ficam a noite toda numa piscadela infindável, viram a noite consumindo energia elétrica e logicamente é dinheiro do povo indo embora! Mas isso não tem importância, afinal é natal e é tempo de perdoar! Afinal isso movimenta tanto a nossa economia e as cidades ficam tão lindas! Eu não sei nem o porque de não aderir às luzes e ao horário de verão o ano todo! E o famigerado amigo oculto ou amigolate? É um do trabalho, outro da família, outro dos amigos, outro da pelada, outro da escola dos filhos... Este, por seu tradicional insucesso dispensa qualquer tipo de comentário!

O natal é um momento onde o consumismo atinge seu ápice. Afinal, são muitas as pessoas que temos de presentear. O pai, a mãe, o companheiro, os amigos, os filhos, o padrinho, a amante, a tia, a avó, o bisavô, o papagaio, o cachorro, a prima da vizinha, o tio do amigo do irmão... Datas como o dia das mães, dia dos pais, dia dos namorados, páscoa, entre outras, é muito mais seleta a lista dos presenteados, natal não! Até mesmo os antinatalinos dão um presentinho aqui, outro acolá, um cartãozinho pra mãe, outro pra namorada, penduram uma guirlanda na porta de casa, armam uma arvorezinha e um pequeno presépio, perdoam aquele tio chato e beberão, contam para os filhos a historinha do papai Noel e seus presentes... Logo depois do dia 25, mais uma vez, as lojas se enchem de pessoas que vão trocar os presentes mal escolhidos. É a cor da camisa que não agradou, ou o tamanho do vestido que não foi o ideal, ou o modelo da sandália que não satisfez...

Uma das mais coloridas celebrações da humanidade, o natal surge na distante idade média, onde a Santa Igreja Católica introduziu o natal no calendário cristão em substituição a uma antiga festa do império romano, a festa do deus Mitra, que em pleno inverno no hemisfério norte, celebrava a volta do Sol. A adoração a Mitra, divindade persa que se aliou ao sol para obter calor e luz em benefício das plantas, foi introduzida em Roma no último século antes de Cristo, tornando-se uma das religiões mais populares do Império.

A data conhecida pelos primeiros cristãos foi fixada pelo Papa Júlio 1º para o nascimento de Jesus Cristo, como uma forma de atrair o interesse da população. Pouco a pouco o sentido cristão modelou e reinterpretou o Natal na forma e intenção. Hoje temos o natal com uma roupagem e um simbolismo nada tropical e fortemente estadunidense. Neve, papai Noel vestido com roupas de lã e botas, trenós, renas...

Pouco ou nada do nosso Brasil encontramos nas comemorações natalinas, as simbologias natalinas têm significados popularmente desconhecidos. Desde a sua origem, o Natal é carregado de magia. O drama religioso medieval ganha modificações no decorrer dos séculos. Na evolução da história está a compreensão de todos os símbolos de Natal:

•  Árvore de natal - Representa a vida renovada, o nascimento de Jesus. O pinheiro foi escolhido por suas folhas sempre verdes, cheias de vida. Essa tradição surgiu na Alemanha, no século XVI. As famílias germânicas enfeitavam suas árvores com papel colorido, frutas e doces. Somente no século XIX, com a vinda dos imigrantes à América, é que o costume espalhou-se pelo mundo.

•  Presentes - Simbolizam as ofertas dos três reis magos. Hábito anterior ao nascimento de Cristo. Os romanos celebravam a Saturnália em 17 de dezembro com troca de presentes. O Ano Novo romano tinha distribuição de mimos para crianças pobres.

•  Velas - Representam a boa vontade. No passado europeu, apareciam nas janelas, indicando que os moradores estavam receptivos.

•  Estrela - No topo do pinheiro, representa a esperança dos reis-magos em encontrar o filho de Deus. A estrela guia os orientou até o estábulo onde nasceu Jesus.

•  Cartões - Surgiram na Inglaterra em 1843, criados por John C. Horsley que o deu a Henry Cole, amigo que sugeriu fazer cartas rápidas para felicitar conjuntamente os familiares.

•  Comidas típicas - O simbolismo que o alimento tem na mesa vem das sociedades antigas que passavam fome e encontravam na carne, o mais importante prato, uma forma de reverenciar a Deus.

•  Presépio - Reproduz o nascimento de Jesus. O primeiro a armar um presépio foi São Francisco do Assis, em 1223. As ordens religiosas se incumbiram de divulgar o presépio, a aristocracia investiu em montagens grandiosas e o povo assumiu a tarefa de continuar com o ritual .

Assim, o natal atravessa os séculos e cada vez mais, encrava-se no coração dos cristãos, e continua anualmente sendo esperado pelas crianças de todo o mundo! Festejo que reúne a família e alimenta a esperança dos homens por um mundo melhor! Uma época de grande lucro para o comércio, entra ano e sai ano é sempre a mesma história!

Você deve estar se perguntando: “qual a simbologia do papai Noel?”, “Porque eu desejei-lhes feliz natal em holandês?”. Pois é aí que surge a história do bom velhinho:

A figura do Pai Natal tem origem na história de São Nicolau, um santo especialmente querido pelos cristãos ortodoxos e, em particular, pelos russos. São Nicolau, quando jovem, viajava muito. Por onde passava ficava na memória das pessoas devido a sua bondade e o costume de dar presentes às crianças necessitadas. Conta-se que o primeiro presente que o Papai Noel deu foram moedas de ouro, entregues a três meninas pobres. Assim, a devoção por S. Nicolau estendeu-se para todas as regiões da Europa. Entretanto a Reforma Protestante fez com que o culto a São Nicolau praticamente desaparecesse da Europa, com exceção da Holanda, onde sua figura persistiu como Sinterklaas, adaptação do nome São Nicolau. Colonizadores holandeses levaram a tradição consigo até New Amsterdan (a atual cidade de Nova Iorque) nas colônias norte-americanas do séc. XVII. Sinterklaas foi adotado pelo povo americano falante do Inglês, que passou a chamá-lo de Santa Claus - em português, Pai Natal. A imagem do Papai Noel como conhecemos hoje, foi criada em 1931 por um sueco beberrão chamado Haddon Sundblon, numa tentativa extremamente bem sucedida da Coca-Cola em conquistar o público infantil. Pensavam agarrar rapidamente a próxima geração de consumidores, assim a Companhia investiu na publicidade dirigida a menores de 12 anos. Esse aspecto acabou por reformular a cultura popular americana. Antes das ilustrações de Sundblon, o santo do Natal foi variadamente vestido de azul, amarelo, verde ou vermelho. Na arte européia ele era em geral alto e magro, ao passo que papai Noel já foi descrito até como um elfo.

No meu Brasil, as agências dos correios receberam milhões de cartinhas de crianças pobres que pediam presentes para Papai Noel. Quem teve vontade pôde ser o papai Noel destas criancinhas. Eu também fiz a minha parte, e tinha cada pedido inacreditável, um mais humilde que o outro. Tinha criança que pedia um panetone de natal, tinha outra que pedia uma blusa de frio para a avó, e outra pedia material escolar para estudar em 2007! Esse é o Brasil que nós vivemos...

Lembro-me de uma piada que ouvi numa roda de amigos há alguns dias e faço questão de compartilhar... Essa piada que me levou a escrever esta coluna!
“Papai Noel chega no sertão nordestino no dia de natal. Chegou com aquela cara de cansaço, pois teria de presentear todas as criancinhas do mundo. Logo ao chegar com suas renas e seu trenó lotado de presentes, as esquálidas crianças, com suas barrigas cheias de lombriga e os narizes escorrendo meleca, o recebem felizes e saltitantes:
- Paínho Noel! Paínho Noel! O que você trouxe pra gente, Paínho Noel? Trouxe comida ou água, Paínho Noel?
Sorridente o velho gordo responde:
- Hô, hô, hô, meus filhinhos! Papai Noel este ano não trouxe presentes para vocês!
A crianças desesperadas, aos prantos, questionaram porque não seriam presenteadas. Imediatamente, com uma voz professoral o bom velhinho responde:
- Criança que não come direitinho durante o ano, não merece presente de natal!”

Feliz Natal! Hartelijke Kerstroeten! Belo Horizonte, 29 de dezembro de 2006.

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