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'...Macaé, ano I, Nº 47 - 22 a 29 de dezembro de 2006
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VILLAS-BÔAS Paulo Celso

Caro leitor, hoje nasce uma grande parceria entre O REBATE e a Expedição VILLAS-BÔAS pelo Brasil, iremos num só rumo mostrar a sociedade civil organizada, aos políticos, e a nação como todo; que temos a honra de sermos brasileiros.

A preservação não só das nossas florestas e de todo meio vivente no contesto biodiversidade dependerá de uma só conduta: A da conscientização de que o futuro sobrepõe dos nossos comodismos, em escutarmos noticias escabrosas de pessoas inescrupulosas, seja ela pública ou privada.

Tomamos a atitude em percorrer o país por 8 anos para uma tarefa árdua, que faremos com amor e simplicidade juntamente com á área cientifica, desprendidos de qualquer sentimentalismo de vaidade.

Começamos este deleite com um processo que temos a certeza de que não haverá conservação sem a cultura. Então achamos por bem mostrar nosso ideal e metas com a afirmação de nossa colaboradora Nedi.


IDENTIDADE BRASILEIRA: CULTURA

Estamos diante de uma atitude corajosa. Necessária. Um marco divisor. Os interesses – Ecossistema, Preservação da natureza, Preservação das nascentes, Cooperativismo, Identidade brasileira e Programas sociais - se encontram, se fundem, se confundem, se somam enquanto objetivos, mas principalmente em possibilidades de trabalhos multidisciplinares. Depois da Expedição Villas Bôas pelo Brasil o Brasil não será mais o mesmo.

Entre os objetivos, Identidade Brasileira, por si só, abre um grande leque de possibilidades, de áreas de pesquisa e de ações possíveis. Indubitavelmente, porém, uma destas identidades, a cultural – sem menosprezo das outras – deve merecer especial consideração nesta Expedição de abrangência nacional.

São vários os motivos que justificam tal consideração.

Indiscutivelmente, por si só, a Expedição é uma oportunidade única – aliás, pioneira -, e disporá de uma estrutura que permite a realização de um projeto nacional especialmente pensado para a Cultura.

O antropólogo Carlos Rodrigues Brandão ( 1983) conceitua que

“... onde há cultura há processos sociais de produção e distribuição da cultura, onde há processos sociais que colocam em circulação pessoas, grupos, bens, serviços e símbolos há relações de controle e poder.”

O universo da Expedição é o dos processos sociais. É ali que as coisas acontecem ou deixam de acontecer. É ali que as concepções da própria cultura podem ser amadurecidas. Novamente Brandão ( 1986) esclarece:

“Ao lado da concepção usual que vê na cultura o produto do trabalho do homem sobre a natureza e leva mais em conta o produto feito do que o trabalho – inclusive o trabalho político de fazer – que cria e reproduz a cultura, agora se concebe uma idéia de cultura subordinando-a às de: TRABALHO, como modo humano de ação consciente sobre o mundo: HISTÓRIA, como campo de realização e produto do trabalho do homem, DIALÉTICA, como a qualidade constitutiva das relações entre o homem e a natureza e dos homens entre si, através de cujo movimento o ser humano CRIA a cultura e FAZ a história.”

Falamos de cultura como atitudes de vida e de convivência; não de conhecimento apenas, que é parte da cultura e não exclusivamente o acadêmico.

Enquanto espaço de manifestação, a cultura apresentará produtos gerados na participação das comunidades referentes aos temas da Expedição. Produtos que demonstrarão questionamentos, realidades, comprometimentos, enfim, sempre comportamentos, atitudes. E é também – e principalmente disso – que a Expedição será feita. A manifestação cultural inclui a partir daquilo que a comunidade tem, dispõe, é. A comunidade mostra-se ao invés de apenas receber a Expedição. É valorizada para em seguida participar de um processo através do qual poderá tornar-se mais madura, mais competente para defender-se, para crescer, para implementar soluções no âmbito da sua realidade, mas também de percepção, de entendimento e de participação nos cenários de um país gigantesco e de um planeta globalizado.

Quantos serão os atores numa única comunidade? Inúmeros! O primeiro chamariz, a porta de entrada no projeto da Expedição Villas Bôas. A marca no coração do cidadão: “Eu participei!” E não há preço que pague a auto-estima de qualquer grupo, de qualquer grupo.

Contudo, fato é que, senão todas, a grande maioria das comunidades não tem consciência de sua identidade cultural, de suas raízes. Necessário, então, dispensar tempo para fazer um Diagnóstico Cultural que ficará disponível para cada comunidade utilizar na promoção da própria cultura ou interagindo com educação, turismo, economia, meio ambiente.

Algumas destas manifestações culturais serão uma ferramenta de intercâmbio entre as comunidades visitadas pela Expedição e gerarão produtos de divulgação das comunidades e também da própria Expedição, além, é claro, de constituir Banco Cultural (mais que dados) disponibilizado (quem sabe?) via internet para todo o Brasil.

O sociólogo e educador Jorge Werthein é categórico: “Buscar o desenvolvimento e esquecer a cultura é ter uma visão limitada.” Em matéria divulgada em diversos jornais de circulação nacional (setembro e outubro de 1998), este argentino que esteve à frente do Escritório da UNESCO no Brasil durante 9 anos (1996 a 2005), deixa claro:

“ Muito tem sido dito sobre Cultura. O mesmo pode-se dizer em relação ao tema "Desenvolvimento". Mas a associação de Cultura e Desenvolvimento é bem menos comum. Normalmente, quando se pensa em desenvolvimento, a associação mais rápida e mais fácil que se faz é com desenvolvimento econômico.

De fato, sem crescimento econômico, as nações perdem qualidade de vida, segurança, poder, independência. No entanto, uma nação desenvolvida, rica, independente, poderosa é, antes de tudo, uma nação culturalmente pujante, com forte identidade cultural.

Outra questão a ser considerada na discussão de um possível projeto de Identidade Brasileira é que através da cultura todas as idades e todas as classes econômicas, - inclusive e principalmente as escolas – estarão envolvidas no processo. Quer dizer, da Expedição.

O projeto terá que ser discutido considerando-se possíveis parceiros, operacionalização, investimento necessário, enfim, todos os aspectos que podem viabiliza-lo. Poderá ser amplo ou poderá restringir-se a determinada(s) meta(s).

As raízes culturais são uma espécie de bússola intransferível que todo ser humano utiliza, conscientemente ou não, na sua jornada humana, no seu vôo existencial.

O desenvolvimento cultural é ferramenta indispensável, insubstituível. É condição. É meta. É processo. A cultura é tão igual; tão diferente! Tão normal; tão surpreendente! Tão individual; tão coletiva! Local; global! É o próprio ser humano em todos seus limites, suas riquíssimas possibilidades e suas inumeráveis realizações.

Nedi Terezinha Locatelli
Poetisa, Estudiosa cultural, Presidente da Associação Italiana de Ipumirim, Cooperativista e Tecnóloga em empreendimentos – ênfase em marketing
Ipumirim - SC

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