Boa tarde, Milbs, parabéns por O Cotonete Azul e pelo artigo sobre a maldade e a magnanimidade. Adorei. E fiz a mensagem abaixo que mandei para uma imensa lista de pessoas amigas sensíveis a Unamente!
Amigos/as,
Nunca fui muito de "brincar" na Internet e nas páginas e portais que se multiplicam na velocidade dos coelhos. Mas hoje eu não estava tão ocupada como penso estar em geral, e decidi visitar melhor um dos jornais feitos por pessoas amigas e que considero de valor relevante para nossa cultura. Fui visitar o jornal O Rebate (para o qual eu também escrevo, às vezes) e fiquei positivamente impactada. Aprecio muito os textos do editor do jornal - José Milbs. Ele faz artigos (reproduzo abaixo pequeno trecho inicial de um deles), escreve livros e os publica no próprio site do jornal. Hoje li O Cotonete Azul, onde a imaginação passeia e descreve uma visão original e poética do mundo virtual dos jovens no orkut. Gostei muito. Mas descobri que O Rebate, que já tem 75 anos, é também muito rico e variado. Pude nele ler o depoimento de um ex-membro da VPR e, em seguida, copiar a receita de brigadeiros (vários tipos de brigadeiros) para meu neto fofo !. E se muito mais não fiz é porque não deu tempo. No meu entendimento O Rebate é realmente um jornal de alto valor literário e cultural, com reportagens diversificadas e um número bom de colunistas qualificados. Mas é também um jornal nosso - fluminense, de Macaé.
Sendo ainda mais sincera, devo me dizer emocionada porque O Cotonete Azul estampa uma foto de Mao, o Mao do livrinho vermelho que agora eles, "os de sempre", tentam enquadrar como "o maior criminoso do século XX". Não poderiam agir de outra forma com o Homem que sacudiu o jugo do Império Britânico, eu sei. Mas escutar isso dessa "gente que faz o que faz em matéria de perversidade global" é demais ! Fiquei pensando em como Sartre deve estar se sentindo lá no paraíso. Relendo La Cause du Peuple ou dizendo - "perdoai-os Senhor, eles não sabem o que dizem"?
Visitem O Rebate ( www.jornalorebate.com )
Bjs, Ceci
Da maldade e da magnanimidade humanas
José Milbs
Habitam luxuosas residências. Caras de paspalho, uns com barbas, outros com as caras raspadinhas e cabelos feitos em salões. São animais que a ciência insiste em dizer que fazem parte da espécie humana: comem, dormem, fazem suas necessidades e até aprenderam a procriação. Mas não trabalham. Antes, vivem da exploração do trabalho e cumprem as ordens da desordem crescente.
Costumam se cercar de seguranças com seus ternos negros que mais parecem capitães do mato lançando olhares que imitam valentia. Usam veículos importados. Trazem mulheres que cheiram a perfumes caros e acompanham infelizes filhos que os admiram como a um cofre abarrotado de dinheiro. Parecem animais criados em cativeiros, frangos e frangas americanos que não podem se expor ao vento ou colocar os pés em outro chão que não seja o das granjas. Nesse caso, o chão dos palácios e gabinetes.
Ventos açoitam as folhas das palmeiras e coqueiros que ornam a Praia dos Cavaleiros, em Macaé, cidadezinha do norte do Rio de Janeiro. Meninos e meninas normais expõem seus cabelos ao morno ventar que vem das Ilhas Nativas. Pés descalços, sorrisos nos lindos olhos e no repuxo dos sobrolhos queimados pelo sol macaense. Assim é a bela e boa gente trabalhadora dali.
Espigões é a diferenciação no mundo natural de casas simples mas plenas de aconchego e de amor. A ganância contraída no processo de acumulação fez de cada engravatado com seu sorriso de lagarto esquecer que existe o humano dentro de si. Transmitem aos pobres e infelizes filhos uma imagem fedente a perfumes e gestos efeminados dos opressores em decadência. Os jornais que socorrem os exploradores anunciam leis contra o povo, trapalhadas financeiras e os eventos ociosos das mansões, a maioria construída mediante desvios de cofres públicos, superfaturamento de obras e "serviços" junto aos tais poderes constituídos.
O meigo sol de primavera se aproxima com o novo ano. A cidade está inflada. As empreiteiras se vão e, em seu lugar, ficam as sub-empreiteiras dirigidas pelos jagunços pinçados a dedo nas fazendas. Eles convocam rapidamente os trabalhadores que estão nas obras, aqueles que, com suor, lágrimas e saudades, foram os responsáveis pelas construções.