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'...Macaé, ano I, Nº 43 - 24 de novembro A 1 de dezembro de 2006
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TRINTA-RÉIS, UMA ESPÉCIE EM EXTINÇÃO, VISITA LITORAL DE MACAÉ.

Nas fotos de Ana Chaffin, pousado nas mãos do fiscal da Secretaria do Meio Ambiente, o lindo pássaro deve alertar os homens para o fim de sua espécie. Abaixo, leia mais sobre o Trinta-Réis dos vários bicos...

(José Milbs).

Surpresa no mar

Aves da família das gaivotas ocupam o
terminal da Petrobras em São Sebastião

Lúcia Monteiro

Arquivo Fausto Pires de Campos

Aglomeração de 2 500 trinta-réis (ou andorinhas-do-mar) nos dutos de petróleo: sinal de praias sujas

Quem passar pelo Litoral Norte antes do Ano-Novo poderá ter uma surpresa. Nesta época do ano, circulam por lá aves conhecidas como trinta-réis ou andorinhas-do-mar. É um belo espetáculo. Da família das gaivotas, elas têm penagem branca, cauda bifurcada e bico pontiagudo. Sempre aparecem em bandos numerosos, formados por mais de 100 pássaros. Alimentam-se de peixes, que fisgam em frente à balsa para Ilhabela, ao longo das praias e em rochedos. Ultimamente, no entanto, elas adotaram um ninho bem estranho: o terminal marítimo da Petrobras, em São Sebastião. "Ficamos alucinados quando soubemos do fenômeno", conta o biólogo Fausto Pires de Campos, diretor de operações da Fundação Florestal da Secretaria de Estado do Meio Ambiente. "Para quem estuda os trinta-réis, essa aglomeração extraordinária é uma grande descoberta." A primeira aparição foi em 2001. Em outubro deste ano eles voltaram para São Sebastião, onde devem permanecer até o fim deste mês, segundo acreditam os especialistas.

Arquivo Fausto Pires de Campos

Patrícia depois da coleta de dados: à noite, o número de pássaros aumenta

Com um pouco de esforço, quem está na avenida da praia consegue enxergá-los. A maior concentração ocorre nos dutos que transportam petróleo desde a parte marítima do terminal da Petrobras, a cerca de 2 quilômetros da costa, até o continente, onde ficam os tanques de armazenamento. Trata-se de uma paisagem curiosa: uma legião de cerca de 2 . 500 aves pousadas em tubos de cimento, além de ovos e filhotes em buracos embaixo da estrada por onde passam os funcionários da empresa. A cena chega a lembrar o filme Os Pássaros, de Alfred Hitchcock - com a diferença de que os de São Sebastião, felizmente, não atacam seres humanos. Uma combinação de fatores levou-as para lá: mar poluído e mais gente nas praias e nas ilhas, seus antigos refúgios. "Nosso turismo ocupou os ambientes naturais dos trinta-réis no litoral, e os dutos da Petrobras tornaram-se uma alternativa", explica Campos. "Essa espécie é muito sensível à perturbação: se alguém mexe num ovo, todos podem abandonar a colônia", afirma a bióloga Patrícia de Jesus Faria, que prepara uma tese de doutorado para a USP/Fapesp sobre os trinta-réis.

Existem no mundo 36 espécies da ave. Três delas se reproduzem no litoral paulista e outras quatro passam por aqui como visitantes, fugindo do frio no Hemisfério Norte. A mais comum é o trinta-réis-de-bico-vermelho, ou Sterna hirundinacea . Sua abundância em tempos passados deu origem ao nome popular. Dizia-se que eram tão comuns que não valiam nem trinta-réis. Hoje em dia não é mais assim. Das três espécies que se reproduzem em São Paulo, duas estão ameaçadas de extinção e a terceira tem população muito reduzida. Ainda não se sabe ao certo sua rota. Todos os anos, quando acaba o mês de dezembro, as aves deixam de ser vistas nos mares de São Paulo até junho do ano seguinte. Para tentarem descobrir para onde vão e traçar diretrizes de preservação, os pesquisadores as capturam à noite com redes, colocam uma espécie de anel de identificação na pata, pesam, medem e coletam sangue para fazer análise de DNA. Soltam-nas em seguida. O procedimento é repetido em outros pontos do litoral brasileiro e na Argentina. Futuramente, comparações entre os dados trarão mais informações sobre a ave que virou uma surpresa do verão.

Foto arquivo Fausto Pires de Campos



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