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'...Macaé, ano I, Nº 43 - 24 de novembro A 1 de dezembro de 2006
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Marilu Parreiras
Niterói, RJ
Brasil
mgparreiras@gmail.com

Amigo Milbs:

E, naquela época, somente queríamos viver. Viver com os amigos
principalmente, encontrando-os pelas esquinas da rua Direita, do Cine
Club, na praça em frente ao Tênis Clube. Se, não fôssemos tão
vaidosos, siquer precisaríamos de roupas bonitas para sairmos às ruas:
éramos lindos, inteligentes, modernos, arrrojados e, sobretudo, JOVENS
!!!!!! Tudo que nos cercava era de uma beleza extraordinária e pulsava
em nossas veias carregando a vida que nos impulsionava pela cidade
toda, pelo Colégio Estadual Luiz Reid,  nos embalava em bailes
maravilhosos e em andanças quilométricas cujo trajeto somente abrangia
o entorno do cine Taboada e pracinha da prefeitura velha. E, ali, os
nossos olhos passeavam bem mais que as nossas pernas, entre um detalhe
e outro, pousando nos moços bonitos que faziam o tão famoso corredor
das estrelas, de um lado e outro das calçadas, enquanto , por durante
60 minutos talvez, desfilávamos e paquerávamos.
E, assim, o nosso lindo sapato de salto alto (comprado com certeza na
Sapataria Imparcial) deixava-nos a semana inteira  num dilema misto:
muita dor (representada pelo calos majestodos) e ansiedade pela espera
do próximo filme de Sarita Montiel ou, quiçá, do nosso grande e lindo
Elvis Presley.
A nossa fartura cultura era de uma qualidade extrema. Acho que Deus
foi muito generoso conosco. Tivemos à disposição livros com títulos
maravilhosos (agradeço a Euzébio pela oportunidade de ter sido
apresentada a vários deles) de autores mais maravilhosos ainda. Grande
Sartre, Grande Simone, Grande Jean Genett, entre outros.
Aos poucos fomos modelando uma turma devidamente filtrada pela
convivência. René, Silvio, Alberto, Dona Maria, Dodora Marmoa Gente
Boa, Gal, Fred, Fernando, Manel, Nato, Roberto Sales, Marcinho Paes,
Lucinha, Eliane, Reginaldo, Periquito, etc.
Ficávamos a semana inteira, dia após dia, ansiando pelas nosssas aulas
pois no Colégio, entre os horários vagos, recreio e saída, era onde
colocávamos a nossa vida em dia, vivíamos a nossa amizade, dentro do
mais puro sentido da palavra: Verdadeira !!!
"No dia que eu vim-me embora" (Graças à Deus Caetano me ajudou a
formular esta saída para a minha alma), mas, longe de compartilhar com
ele do pensamento de que "não teve nada demais", eu digo-lhe que teve
sim. Teve muita coisa demais e elas passaram anos da minha vida me
acompanhando e me alimentando, dando-me subsídios para que eu pudesse
suportar a saudade dos meus amigos e das nossas histórias.
E, assim sendo, reproduzo "ipsis literis" abaixo, uma crônica de
Vinícius de Morais que lavou a minha alma e me garantiu mais uns 100
anos de amizades tranquilas, tranquilas !

"AMIGOS

TENHO AMIGOS QUE NÃO SABEM O QUANTO SÃO MEUS AMIGOS. NÃO PERCEBEM O
AMOR QUE LHES DEVOTO E A ABOSLUTA NECESSIDADE QUE TENHO DELES.

A AMIZADE É UM SENTIMENTO MAIS NOBRE DO QUE O AMOR, EIS QUE PERMITE
QUE O OBJETO DELA SE DIVIDA EM OUTROS AFETOS ENQUANTO O AMOR TEM
INTRÍNSECO O CIÚME, QUE NÃO ADMITE A RIVALIDADE.

E, EU PODERIA SUPORTAR, EMBORA NÃO SEM DOR, QUE TIVESSEM MORRIDO TODOS
OS MEUS AMORES, MAS, ENLOUQUECERIA SE MORRESSEM TODOS OS MEUS AMIGOS.
ATÉ MESMO AQUELES QUE NÃO PERCEBEM O QUANTO SÃO MEUS AMIGOS E O QUANTO
A MINHA VIDA DEPENDE DE SUAS EXISTÊNCIAS ....

A ALGUNS DELES NÂO PROCURO. BASTA-ME SABER QUE ELES EXISTEM E, ESTA
MERA CONDIÇÃO ME ENCORAJA A SEGUIR EM FRENTE PELA VIDA. MAS, PORQUE
NÃO OS PROCURO COM ASSIDUIDADE NÃO POSSO LHES DIZER O QUANTO GOSTO
DELES. ELES NÃO IRIAM ACREDITAR.

MUITOS DELES ESTÃO LENDO ESTA CRÔNICA E NÃO SABEM QUE ESTÃO INCLUÍDOS
NA SAGRADA RELAÇÃO DE MEUUS AMIGOS. MAS, É DELICIOSO QUE EU SAIBA E
SINTA QUE OS ADORO, EMBORA NÃO DECLARE E NÃO OS PROCURE. E, ÀS VÊZES,
QUANDO OS PROCURO, NOTO QUE ELES NÂO TÊM NOÇÃO DE COMO ME SÃO
NECESSÁRIOS, DE COMO SÃO INDISPENSÁVEIS AO MEU EQUILÍBRIO VITAL,
PORQUE ELES FAZEM PARTE DO MUNDO QUE EU TREMULAMENTE CONSTRUÍ E SE
TORNARAM ALICERCES DO MEU ENCANTO PELA VIDA.

SE UM DELES MORRER, EU FICAREI TORTO PARA UM LADO. SE TODOS ELES
MORREREM, EU DESABO !  POR ISSO É QUE, SEM QUE ELES SAIBAM, EU REZO
PELA VIDA DELES. E, ME ENVERGONHO, PORQUE ESSA MINHA PRECE É, EM
SÍNTESE, DIRIGIDA AO MEU BEM ESTAR. ELA É, TALVEZ, FRUTO DO MEU
EGOÍSMO.

POR VÊZES, MERGULHO EM PENSAMENTOS SOBRE ALGUNS DELES. QUANDO VIAJO E
FICO DIANTE DE LUGARES MARAVILHOSOS, CAI-ME ALGUMA LÁGUIMA POR NÃO
ESTAREM JUNTO DE MIM COMPARTILHANDO DAQUELE PRAZER ...

SE ALGUMA COISA ME CONSOME E ME ENVELHECE É QUE A RODA FURIOSA DA VIDA
NÃO ME PERMITE TER SEMPRE AO MEU LADO, MORANDO COMIGO, ANDANDO COMIGO,
FALANDO COMIGO, VIVENDO COMIGO, TODOS OS MEUS AMIGOS,, E,
PRINCIPALMENTE, OS QUE SÓ DESCONFIAM - OU TALVEZ NUNCA VÃO SABER - QUE
SÃO MEUS AMIGOS !

A GENTE NÃO FAZ AMIGOS: RECONHECE-OS!"

Espero que, depois desta crônica, tenha conseguido  passar para você e
todos àqueles que não têm certeza da minha amizade, como fiquei sem
vocês durante todos estes anos.

Beijos,
Marilú Parreiras

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