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'...Macaé, ano I, Nº 41 - 3 a 10 de novembro de 2006
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MÉDICO/COLUNISTA DE O REBATE NOS ANOS 70 MORRE EM NITERÓI

José Milbs

Jorge Picanço Siqueira, de uma das mais antigas famílias de Macaé, morre, aos 74 anos. Poeta, Artista Plástico, Jornalista e Médico, Jorge Siqueira foi um dos nossos colunistas nos anos 70. Autor da coluna O PEDIATRA NA SALA DE PARTOS, ele sempre ficava nas oficinas até altas madrugadas na espera do “jornal se rodado”. Sempre em companhia de seu irmão e também médico patologista, Jair Siqueira, Jorge chegava nas madrugadas em companhia de Tinoco Garcia, Filhinho Monteiro, Ruy Figueiredo Borges e outros amigos. Conversava com nossos redatores Armando Barreto, Cláudio Upiano e Euzébio Luiz da Costa Mello e caminhava em direção as oficinas. Lá ele revisava seus textos com o Mestre das gráfica e Poeta Maximiliano Lima e discutia paginação com Izac de Souza.

Como médico pediatra escreveu o livro “O Pediatra na sala de Parto” numa época em que não havia esta preocupação na medicina. Humanista por essência jamais cobrou suas consultas.

Sempre calmo no andar e no falar, Jorge gostava de ficar horas e horas em longas conversas com o Mestre Paulo Rodrigues Barreto em sua oficina de Alfaiataria. Ali ele revia as histórias de nossas ruas e falava nas pessoas de nossas vivências. Filho do Farmacêutico José Siqueira da Silva, da PHARMACIA SIQUEIRA donde Jorge tirava suas crônicas e fatos. Abaixo uma de suas crônicas de um Natal que ele retrata alguns diálogos que ouvia nas suas tardes/noites.

Natal, data de confraternização

  Jorge Picanço Siqueira

Quando cheguei à Pharmácia Siqueira, a tertúlia vespertina habitual havia começado e o monsenhor Jason Barbosa Coelho, da Igreja São João Baptista, estava dizendo: “Quando o imperador César Otaviano Augusto ordenou o Recenseamento, José e Maria, que estavam em Nazaré, caminharam para Belém, quer dizer “Casa do Pão”, distante 130 quilômetros. Chegando lá não encontraram alojamento e abrigaram-se numa gruta. Ali, há 2001 anos, a ser completados no dia 25 de dezembro, nasceu o Salvador, Jesus Cristo, o filho de Deus!”
   Olga Miranda, interrompendo o monsenhor Jason, continuou: “Alguns pastores viram no céu uma luz. Uma voz respondeu: Hoje na cidade de David, nasceu o Salvador! Ouviram, ainda, um canto: Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade. Os pastores dirigiram-se a Belém e adoraram o Deus Menino”.
   Então, Nancy Miranda, irmã de Olga, quis falar e prosseguiu: “Surgiu uma estrela no Oriente que os três sábios – os Reis Magos Melchior, Baltazar e Gaspar – identificaram como uma estrela profética que anunciaria o Messias e seguiram o misterioso astro. Foram até Belém, onde segundo a profecia de Miquéias, nasceria o Salvador: “E tu, Belém, tão pequenina entre as cidades de Judá, de ti porém, sairá Aquele que há de ser o dominador de Israel.”
   Os reis Magos encontraram o Divino Infante e adoraram o Menino. Ofereceram-lhe ouro, incenso e mirra. Três presentes simbólicos: pelo ouro reconheciam em Jesus o seu Rei; pela mirra o Redentor; pelo incenso o seu Deus.
   Maria Apparecida Picanço Goulart, que viera de Conceição de Macabu para passar o Natal conosco, exclamou: “O nascimento de Jesus foi o acontecimento mais importante da história: deu início à Era Cristã!”
   Chegou a vez do escritor João da Silveira Viana, que se assinava na imprensa Frei Pinto, dar o seu depoimento: “Aproxima-se mais uma vez o Natal e o homem não pode viver sem símbolos. O presépio é o primeiro símbolo de Natal; ele reconstitui o nascimento de Jesus. Sua origem data do ano 1223 e foi montado, pela primeira vez, por São Francisco. O pinheiro de Natal, outro símbolo, apareceu no primeiro século do Cristianismo”.
   Aí, pensando nos presentes, meu irmão Jair declarou que “Papai Noel é a figura mais popular das festas natalinas”. E lembrou que surgiram, também, as trocas de presentes, a ceia, as velas, as estrelas, os cartões, as guirlandas, os sinos, que constituem as homenagens dos homens àquele que nasceu e morreu pela nossa redenção.”
   O monsenhor Jason Barbosa Coelho voltou a falar e completou: “O Natal é uma época de confraternização, em que nos reunimos para, irmanados, desejar uns aos outros as bênçãos de Deus. Que este Natal seja, como ontem e amanhã, mais uma oportunidade para recebermos as bênçãos de Deus a quem reverenciamos numa prece!”
   A Pharmácia ia fechar. Foi quando dona Deusinha pediu bênção ao monsenhor e convidou a todos para a ceia e a Missa do Galo.

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