Macaé:
R$ 5 milhões para compra de votos
MPE denuncia que esquema de fraude em Campos teria objetivo de atrair 10 mil eleitores
Ricardo Villa Verde
Rio - O suposto esquema de compra de votos em Campos, para favorecer os deputados eleitos Silvio e Glauco Lopes — ambos do PSDB —, tinha a meta de conseguir mais de 10 mil eleitores para a dupla de pai e filho no município, envolvendo gastos de R$ 5 milhões. A denúncia faz parte do pedido de ação de investigação judicial apresentado no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) contra os deputados pelo Ministério Público Eleitoral (MPE). Na ação, o MPE pede a cassação de Silvio e Glauco por captação de sufrágio (compra de votos). Os dois já foram notificados para se defenderem.
A denúncia também faz parte do inquérito da Polícia Federal (PF) que apura o caso. As investigações da PF começaram em setembro e resultaram na Operação Sufrágio, deflagrada dia 30, véspera do primeiro turno, quando foram presos, em Campos, quatro acusados de integrar o esquema. Com eles foram apreendidos R$ 42.200 em dinheiro, R$ 1.500 em cheques e 87 dólares, além de inúmeros documentos com anotações de supostos pagamentos que seriam realizados e listas de eleitores nas quais constavam nomes, números dos títulos e locais de votação.
O advogado Augusto Werneck, defensor de Silvio e Glauco, contesta as acusações. Segundo ele, os nomes nas listas são de fiscais do partido e de pessoas que trabalhavam na campanha. “Não existia esquema nenhum de compra de votos em Campos, nem de gastos de R$ 5 milhões. É tudo uma grande mentira. O dinheiro e os pagamentos foram contabilizados na prestação de contas dos candidatos”, garantiu o advogado.
Escutas telefônicas feitas pela PF com autorização judicial, porém, comprovariam o esquema. As transcrições das conversas, segundo a denúncia do MPE, revelariam “o envolvimento de várias pessoas na organização criminosa”. Além de compra de votos, a estrutura atuaria também para pagar boca-de-urna em várias cidades do norte do estado.
O esquema funcionaria da seguinte forma: coordenadores da campanha organizavam equipes de cabos eleitorais para cooptar eleitores para votar em Silvio e Glauco, em troca de cestas básicas ou dinheiro (R$ 100). Cada líder de grupo deveria mobilizar 100 ou mais eleitores.
Ex-prefeito de Macaé, Silvio foi eleito deputado federal, e seu filho Glauco foi reeleito para estadual.(fonte O DIA 19.10). |