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...Macaé, ano I, Nº 31 - 25 a 31 de agosto de 2006
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INDIOS QUEREM SEUS DIREITOS NO ESPIRITO SANTO ....

Caros amigas e amigos do MST, Queremos pedir a sua solidariedade. Em 20 de agosto, a Funai (Fundação Nacional do Índio) entregará o relatório final sobre os 18 mil hectares de terras indígenas no norte do Espírito Santo, hoje sob posse da empresa Aracruz Celulose. A área é originária dos povos Tupiniquim e Guarani, mas em 1967, a companhia começou a plantar eucaliptos indiscriminadamente e expulsou as aldeias da região. Antes da chegada da Aracruz, havia 40 aldeias indígenas no estado. Hoje são apenas sete. Na mesma época, a empresa também entrou nas terras de mais de 10 mil quilombolas e camponeses que viviam como posseiros no estado. Uma das responsáveis pela extinção dos povos indígenas, a Aracruz extirpa cultura e seres humanos. Nas terras que antes eram produtivas, hoje a biodiversidade praticamente inexiste. Onde antes havia mata nativa, a vegetação se resume à eucaliptos, que formam um verdadeiro deserto verde onde os pássaros e as flores não se reproduzem e nenhum alimento é produzido. Segundo relatos dos indígenas, até a água já começa a desaparecer: um pé de eucalipto de 15 metros de altura é capaz de absorver cerca de 3,6 mil litros de água no ano, comprometendo o lençol freático da região. Se os indígenas ainda estivessem em suas terras, isso não aconteceria, como aponta um estudo concluído esse ano, que comparou o desmatamento dentro e fora de 121 terras indígenas brasileiras, 15 parques nacionais, dez reservas extrativistas e 18 florestas nacionais, entre 1997 e 2000. Segundo o relatório, as terras indígenas ajudam a prevenir o desmatamento tanto quanto as unidades de conservação de uso indireto, como os parques nacionais. Diante desse quadro, os indígenas retomaram a mobilização para recuperar as terras e em 2005 ocuparam a área onde está um dos cemitérios de seus ancestrais. Em 20 de janeiro deste ano, a Aracruz Celulose mobilizou helicópteros, bombas, armas, tratores e 120 agentes da Polícia Federal, para destruir as duas aldeias reconstruídas e expulsar os povos nativos. O despejo foi violento e deixou marcas nos corpos e na memória das comunidades. Depois do despejo violento, o ministro da Justiça, Márcio Thomas Bastos, se comprometeu a assinar a portaria delimitando a área assim que recebesse o processo com os documentos. O relatório, que será entregue no dia 20, aponta que o território indígena no estado é de 18.070 hectares, sendo que 11.009 hectares ainda se encontram em posse da Aracruz. Além disso, os estudos técnicos concluíram que aquelas terras são fundamentais para a sobrevivência física e cultural dos povos indígenas. Advertindo sobre as arbitrariedades que se acumularam e as perversas conseqüências sobre as comunidades indígenas do Espírito Santo, exigimos que desta vez a promessa seja cumprida e os direitos humanos sejam privilegiados sobre os interesses meramente econômicos da multinacional do eucalipto. Para garantir a demarcação das terras, os indígenas iniciaram uma campanha de envio de correios eletrônicos ao ministro Márcio Thomas Bastos. Nós, do MST, apoiamos a iniciativa e esperamos que, em alguma medida, a dívida histórica com esses povos seja reparada. Conclamamos todos e todas, em nome dos verdadeiros donos das terras brasileiras, a se somarem nessa corrente de solidariedade.

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Criação e manutenção Rose Nogueira