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...Macaé, ano I, Nº 31 - 25 a 31 de agosto de 2006
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25 de agosto

11 anos sem Euzébio:

FESTA ONDE VIVO NÃO ENTRA SÓ EU E PHYDIAS

Se Euzébio Luiz da Costa Mello estivesse aqui nesta dimensão por certo estaria muito feliz com o REBATE, onde ele estaria escrevendo suas ACONTECENCIAS. Daria lindas gargalhadas com a quantidade de colunistas e as verdades que este jornal sempre fez questão de nunca omitir. Onze anos e, numa reunião imaginária, estaria, sentado a cabeceira de sua simples cama, rodeados pelos amigos que com eles partiram e que fizeram história neste jornal.

Juarito, Luciano e Marquinho Brochado, Samuel, Cláudio Itagiba, Sandra Lennon Agostinho, Diva, Diva, Diva, Marco Aurélio, Paulo Barreto, Lecino Mello, Luiz Pinheiro, Thomé, seriam alguns dos convidados. Rolaria muita água mineral, doces e alguns salgados. De vez em quanto, altas conversas sobre o que passa aqui em baixo.

A vida deste jornalista, poeta, artista plástico, critico de Artes e historiador foi marcada por grandes presenças na vida desta comunidade. Neto do jornalista Cezar Mello, editor de O SÉCULO nos anos de 1860, ele ingressou no jornalismo a meu convite nos anos de 1960. O REBATE, nesta década era adquirido por mim, das mãos dos Antonio Curvello Benjamim. Djalma da Silva Almeida e Ney Moura. Não tinha nenhuma experiência comercial e pouca de gráfica e jornal. Izaac de Souza iria me orientar na parte gráfica e parti para o seria uma grande transformação na Imprensa da Região. O REBATE sai das mãos das Elites conservadoras e passa a ter uma vida completamente oposta. Abri espaços para todos que tinha vontade de expressar-se. Igual ao O REBATE on-line de hoje. Nesta guinada democrática, sem perder o norte dos Editoriais, o jornal assumiu a postura que até hoje impõe na vida jornalística do Brasil.

A presença de Euzébio Luiz foi fundamental nesta luta que foi a vida deste Jornal nos anos 60/70. Seus textos, todos feitos a mão, com "garranchos", revisados por ele mesmo em outras cores de caneta, as vezes rabiscados ou sujos em papel de enrrolar pão, ou outros em folhas de cadernos. Neste emaranado de letras misturadas com toda a sorte de virgulas e pontos riscados, estavam a essência de seus textos belemente elaborados em uma cabeça previlegiada pelos deuses.: A cabeça de Euzébio Luiz da Costa Mello.

Os anos de chumbo, com O REBATE sob forte censura e a gente sofrendo toda sorte de pressão, fizeram com que uma grande amizade nos unisse. Se antes, nos anos de 1860, meu avó Mathias Lacerda foi amigo de seu avô Cezar Mello e, se mais tarde o seu pai Clóves Mello, nos anos de 1940, tivesse sido amigo de meu pai Djecyr Gama, fosse os motivos de nossa afetividade, eu não sei. Só sei que fomos grandes amigos, companheiros e parceiros em muitas lutas.

Fundamos o PT que acreditamos, demos nosso nome numa eleição de voto vinculado, eu como candidato a Deputado Estdual e ele como Vice-Prefeito de Iza Correa de Aguiar, onde fomos os responsáveis pela 1ª vez neste partido (ano de 1978/82) da criação e ação das minorias.

O partido tinha em seus quadros de candidatos, mulheres, negros, homossexuais, marginais de periferia (mini-bandidinhos) diferentes dos Bandidões do Petesão de hoje. Eu e Euzébio fizemos questão de cumprir a risca os Estatutos do Partido dos Trabalhadores e, buscando nas minorias poderíamos chegar a grande maioria. Fizemos um quadro de vereadores com mais de 40 candidatos e isto espantou a elite que, acionou o judiciário da época. O magistrado usou de todos os meios para impugnar nossos candidatos a vereança. A direita sabia que eu nunca fui bobo em articulação. Sabia que a minha escola tinha sido o PTB de Roberto, Jango e Paiva Muniz e que, agora, neste partido, eu estava, além, de dando voz a quem não tinha, olhando mais na frente em busca de "fazer, pelo menos 1 vereador". O Juiz José Carlos Pinheiro da Costa, impugnou 2/3 dos nossos candidatos a vereança e, ainda "ouvindo a voz das elites dos anos 60/70, "inventou alguns processos" contra eu, Secretário Geral do PT e contra Euzébio Luiz, presidente. Até uma assinatura do Euzébio, reconhecida pelo Tabelião Otto Filho, este ilustre magistrado disse ter sido falsificada. Sem apoio da Regional do PT, sem experiência nestas mutretas judiciárias, ficamos sem mais de 2/3 dos candidatos a vereança. Euzébio brigou, fez artigos contra a perseguição mais de nada adiantou...

Esta é uma das centenas de pelejas que tevemos e lutamos lado a lado.

DEPOIMENTO.....

Euzébio Mello, uma pequena homenagem pelo seu aniversário de nascimento (25 de Agosto).


Almas alegres passeiam juntas

(parte do livro De Quissamã a Hollywood, de Phydias Barbosa)

Alguns amigos vieram nos visitar em Rio das Ostras. Romulo Campos e Claudio Azevedo, Armando Barreto, mas principalmente Euzébio Mello, que no fim do ano costumava se hospedar na casa do primo Nato Reis, a fim de passar em RiOstras o Natal e o Ano Novo. A casa de minha mãe era bem próxima da casa de Nato. Euzébio ia e vinha, um pouco nervoso, fora de sua natureza comum. Pediu para usar o telefone diversas vezes, para falar com seu namorado, que tinha ficado em Macaé.

Na noite de 25 de dezembro, Zebinho , aproveitando-se que Nato tinha ido dormir, pegou as chaves do carro de Nato e foi a Macaé visitar o rapaz. Euzébio nunca foi bom motorista, muito menos à noite, e além disso, dirigindo sozinho. Mas, conseguiu chegar até à cidade, aonde ficou algumas horas e de madrugada voltou para Rio das Ostras. Alguns metros antes de alcançar a ponte no início da cidade, seguiu em frente aonde a estrada faz uma curva e alí mesmo...enfiou o carro de Nato na árvore. Enquanto todos dormíamos, Euzébio era levado, ainda com vida, para o Hospital São João Batista de Macaé.

Pela manhã, Luiza Reis veio, de bicicleta, me dar a notícia; " nosso amigo aprontou ontem à noite", ela disse. Fomos para Macaé, onde Euzébio estava sendo operado. Doutor Edilson Barreto Antunes e sua equipe tudo fizeram, mas o acidente tinha deixado marcas profundas no corpo do ainda sobrevivente. Ele ficou em coma por quase 36 horas e faleceu. Esquecido no corredor do Hospital e encontrado por acaso por Izaac de Souza. Um dos meus melhores companheiros através da vida tinha morrido. Restou-nos velar seu corpo e chorar a morte desse macaense incrível, que deixou um enorme acervo de artigos, matérias, notas, reportagens, peças de teatro, algumas fascinantes, outras críticas até demais, muitas com um tom de deboche contra a super-estrutura e o status quo . Zebinho, como carinhosamente todos os chamávamos, era um excelente redator, o melhor de todos nós.

Quando eu era sonoplasta da peça De Olho n´Amélia, 1969, com a Eva Todor e grande elenco no Teatro Maison de France, no Rio, o convidei para me substituir. Ele alternava a operação de som comigo e, assim, eu conseguia trabalhar em outros espetáculos ou fazer alguma viagem rápida a Macaé para namorar. Eva Todor o chamava de Castro Alves , devido a seus longos cabelos e bigodes da época.

Ele viveu com uma grande responsabilidade, que era a de carregar o patrimônio simbólico do Jornal O Século, que tinha circulado em Macaé por diversas vezes desde 1865, e que foi fundado pelo seu bisavô. Ele era o herdeiro da marca e assim se comportou durante grande parte de sua vida. Amante das artes, Zebinho viajava sempre que podia para o Rio, São Paulo e outras praças, em busca de inspiração para seus textos.

Algum tempo depois de Euzébio ter ido pro céu, alguns amigos próximos, um deles a incansável Angela Agostinho, resolveram fazer uma homenagem póstuma e foi lançada, então, a Noite Euzébio, na Galeria de Arte Hildenburgo Olive. No lançamento da Última Edição do Século, muitos compareceram ao badalado bar Manhattan, de Nora e Rui Borges, para uma festa intelectual e cultural, relembrando o nome de Euzébio Mello e suas façanhas. Uma delas, (Milbs tem comentado quando estamos no MSN) era seu heterônimo Daniel Menos , baseado no colunista do Jotabê Daniel Más Gonzales. Com os artigos de Daniel Menos, Euzébio colocava a sociedade e a política macaenses em xeque-mate no então combativo O Rebate. Infelizmente, pouca gente se lembra dele. A Noite Euzébio nunca mais foi realizada, o Século também foi enterrado. (Pelo menos por enquanto, espero que Nato e Manel Reis me convidem para outra edição).

Elaine, grávida de nossa filho Frederico, chegou de Miami e compareceu comigo ao velório e ao enterro de meu inesquecível companheiro. Que deve estar se divertindo no céu, junto a dois outros não tão menos queridos como Juarito e Marco Aurélio Franco, também mortos prematuramente. Estou certo que ainda passeiam juntos.

(Phydias Barbosa)

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Criação e manutenção Rose Nogueira