| COMO SERIA LINDO DE A GENTE PUDESSE CLONAR 570 BENAYONS....
José Milbs
São Paulo é um Estado
que nasceu com as coisas boas viradas para a Lua. Abraçou e fez Presidente
o amigo de meu avô Mathias Lacerda, Washington Luiz Pereira de Souza, o
Paulista de Macaé. Levou do Rio de Janeiro a minha mãe Ecila Lacerda, que,
indo morar no bairro Santa Cicília, fincou pé e só voltou para Macaé para
cumprir o ritual do sepultamento.
O filho do médico humanitário Julio Olivier, que esteve General Julio
Maximiliano Olivier Filho, fazia da vida paulistana um prolongamento de
Macaé, onde, por debaixo dos panos e das mesas da ditadura, ia evitando
arbitrariedades, desmandos, enquadramentos e torturas. Quanto a mim mesmo,
quando "cutucava" e tinha O REBATE sob fortes censuras no AI-5, era com o
Julinho Olivier que minha valente mãe fazia exigir respeito aos meus
escritos e de meus colunistas nos anos de 1967 a 1976. São Paulo tem alguma
coisa com Macaé que eu não sei explicar. O escritor Luiz Lawrie Reid, em
cujo sepultamento tive a honra de ser o único orador, foi outro macaense
que cumpriu este desígnio, que não sei donde e por que existe, de ir para
São Paulo viver, criar raízes e amar de uma forma maravilhosa esta cidade
imortal.
Reid, Olivier, Pereira de Souza e Ecila Lacerda fazem parte dos primórdios
da História de Macaé no Século XX. Olivier (Julio, pai) foi vereador
ligado a Mathias Lacerda (pai de Ecila), e os pais de Washington Luiz, bem
como os pais de Lawrie Reid, tinham fazendas confrontantes onde hoje
existem os bairros Novo Cavaleiro, São Marcus, Imboacica e Mutun.
Coincidência ou não,
Mathias Coutinho de Lacerda era pecuarista, dono da famosa e grandiosa
Fazenda Airys. A distancia de Macaé a São Paulo, numa época que as
pessoas, no máximo, iam ao Rio de Janeiro, nos faz crer que havia um
entendimento, senão verbal, mas de outra vertente, que "fazia essas pessoas
caminharem para a Paulicéia".
Esta pequena
recordação familiar e que pretendo que seja colocada no meu livro, ainda no
Word, O PINGUIN DA RUA DO MEIO, é para dizer aos meus amigos que São Paulo
é mesmo um lugar de privilégios humanos. Abriga milhares de gente boa do
Norte, milhares de pessoas de outros paises, tem a mais linda das noites,
que freqüentava e onde era respeitado, do Lixo ao Luxo, passando pelo
Liberty da perigosa noite no bairro da Liberdade, onde fiz amigos chineses,
japoneses e do Movimento Negro...
São Paulo, onde morei no Copan, onde ia nas festas no Morumbi e Brooklin,
onde passeava na Paulista, ora no Masp, ora no MAM, ora olhando as tardes
que caiam com o Sol diferente do meu Rio mais que era lindo. Este São Paulo
onde, ao amanhecer, indo para a luta na Sé, recebi a famosa Garoa, que
ainda bate em minha cara quando a chuva cai aqui no Sitio em que moro...
Este São Paulo hoje tem uma nova e linda aparição nacional. O grande
brasileiro Adriano Benayon, meu amigo, meu colunista neste O REBATE, que
tem a idade dele, empresta seu nome para uma cadeira de Deputado Federal.
Eu, que já não acredito mais no Parlamento como forma de transformação,
tenho que dar "minha mão a Palmatória, como dizia minha linda avó Alice
(Nhazinha) Lacerda".
Sou obrigado a rever, nem que seja neste relato que, sai do fundo de minha
alma, o "desta água não beberei". Às vezes algo nos faz acreditar. O grande
Brasileiro, escritor, diplomata, homem digno, amigo dos amigos, está com
seu nome dignificando o que ainda o resta de uma Política totalmente
comprometida com o Lado do Mal. Que bom se a gente, como num passe de
mágica, pudesse clonar as mentes e pôr no Parlamento Brasileiro 570
Adrianos Benayons... (José Milbs de Lacerda Gama, ex- vereador, ex-candidato a Prefeito,
Deputado e ex-fundador do PT-RJ) |