Alta do combustível nos EUA afeta vida de brasileiros
(mas abre oportunidade para o Brasil se dar bem)

Os brasileiros estão sentindo literalmente “no bolso” o aumento do preço da gasolina. Há muitos anos isto não era motivo de preocupação, mas atualmente a situação está muito difícil, especialmente para aqueles que dependem do carro para trabalhar. Com a diminuição dos lucros, alguns já pensam em repassar o aumento para seus clientes, a fim de driblar a crise.
O landscaper (trabalhador em paisagismo) João Moura ganhava cerca de $75.00 numa casa e atualmente seu lucro não passa de $28.00. “Há 13 anos um galão de gasolina custava .79 centavos e agora custa $2.95. Não esperava que fosse subir tanto assim”, disse, preocupado. Ele culpa a guerra do Iraque pelo último aumento e ressalta que até mesmo os americanos têm reclamado do preço da gasolina, acusando o governo de George Bush. Ele não tem muita esperança de que a situação melhore.
João acredita que a situação esteja melhor no Brasil em termos de custo de vida, dizendo que aqui está tudo mais caro em função da alta da gasolina. “Estamos precisando trabalhar muito para sobreviver. Se continuar assim vou voltar para o Brasil daqui a um ou dois anos”, disse. Ele ainda ressalta que há cerca de 6 anos gastava $50.00 por semana para encher o tanque de seu carro particular, e que hoje em dia a média de gasto pulou para $180.00.
Para quem é housecleaner (faxineira), como Thábata Xavier, a alta da gasolina também está sendo motivo de preocupação. Ela mora nos Estados Unidos há 8 anos e viu seu lucro diminuir, afirmando que “as pessoas não estão pagando mais só porque a gasolina aumentou.” Disse ainda que de 1998 para cá o preço da gasolina dobrou e que tanto brasileiros quanto americanos precisam de carros grandes para carregar pessoas e materiais, o que com certeza dá um maior gasto de combustível.
A firma construtora de Jorge Nesci tem 8 caminhões. E le também está sentindo e muito a diminuição do lucro. “Tenho gasto cerca de $300.00 por semana para abastecer os carros e não estou repassando este valor para os clientes, porém se a gasolina continuar aumentando serei obrigado a agir desta forma”. Jorge disse que quando chegou aqui há 16 anos era tudo bem mais fácil e afirmou que o furacão de New Orleans fez a gasolina aumentar muito de preço, assim como a alta constante dos preços do petróleo. Ele não sabe se o governo pretende fazer algo a fim de melhorar esta situação. Pesquisas de opinião revelaram que os crescentes preços da gasolina nos últimos dias aceleraram o descontentamento popular pelo governo de George Bush.
Alcides Leite, especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental e professor do Centro de Conhecimento Equifax publicou no jornal procana.com o seguinte comentário:
Em um painel sobre conservação de energia e eficiência no National Renewable Energy Laboratory - NREL - no Colorado, o presidente George Bush disse que o governo dos Estados Unidos está sentindo fortemente a necessidade de investimento em pesquisa e desenvolvimento de fontes de energia alternativas ao petróleo. Além do fator econômico Bush disse que a segurança americana pode ser comprometida pela dependência energética que os Estados Unidos têm em relação a países instáveis politicamente e “não-amigáveis”. Os institutos de pesquisa norte-americanos estão investindo em três frentes: motores híbridos (movidos a gasolina e eletricidade), etanol como combustível alternativo e o desenvolvimento de motores alimentados por hidrogênio, que é uma fonte limpa e segura de energia. Como o etanol americano vem do milho, que também serve de matéria-prima para a pecuária e para a indústria alimentícia e tem sua produção limitada, o governo tem incentivado o desenvolvimento de etanol oriundo de outras fontes, principalmente o etanol celulósico, vindo de madeira, palha de milho, grama, capim, etc... No caso dos motores alimentados por hidrogênio, as pesquisas nessa área levam muito tempo para viabilizar este tipo de combustível. O hidrogênio poderá ser utilizado como combustível em escala comercial somente daqui a 10 ou 20 anos.
Mesmo com o forte interesse do governo americano em produzir combustível suficiente para substituir grande parte do petróleo importado, dificilmente toda a necessidade local seria atendida. O volume de petróleo importado é muito grande e a produção de substitutos demanda muito tempo e investimento. Essa situação abre uma importante janela de oportunidades para o Brasil, que pode tornar-se, no futuro próximo, um importante exportador de combustível alternativo para os Estados Unidos.
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